França não se sente excluída por trio EUA-Canadá-Brasil

SÃO PAULO, 19 de janeiro de 2010 - A sugestão feita por Barack Obama de um trio de Estados Unidos-Canadá-Brasil para coordenar os esforços de cooperação dos doadores ao Haiti não significa uma exclusão da França, considerou nesta terça-feira o secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Pierre Lellouche.

Ao ser perguntado pela rede de televisão Canal Plus a respeito da aparente negligência do presidente norte-americano em relação aos esforços do presidente francês Nicolas Sarkozy, da França e da Europa, Lellouche respondeu: "É uma tendência que ele tem (...), não, estou brincando. Creio que a pior coisa é tentar colocar uns contra os outros. Temos que trabalhar todos juntos".

"Há uma conferência prevista para o dia 25 em Montreal, que deve preparar uma grande conferência internacional de reconstrução", lembrou. "Ninguém descarta ninguém. Os Estados Unidos precisam da Europa, a Europa precisa dos Estados Unidos", acrescentou.

Segundo uma fonte do governo brasileiro, Barack Obama telefonou na segunda-feira para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e sugeriu que os dois países dirijam, ao lado do Canadá, os esforços de cooperação dos doadores para ajudar o Haiti.

Ao ser perguntado sobre a visibilidade da Europa na ajuda ao Haiti, o secretário de Estado reconheceu um "déficit de imagem". "Eu sou como vocês, um europeu frustrado que sempre quer que tudo seja mais forte e rápido" e "gostaria que isso fosse mais visível e mais forte".

Lellouche lembrou que o presidente da União Europeia (Herman Van Rompuy) e a nova Alta Representante para a Diplomacia (Catherine Ashton) ocupam esses cargos há 15 dias.

"A ajuda humanitária é uma tarefa compartilhada" entre a União (Europeia) e os Estados membros. "A vantagem da União é ter pessoas que sabem realizar a reconstrução", afirmou, acrescentando que "o desafio será reconstruir um Estado que é um dos mais pobres do mundo".

(Redação com agências internacionais - Agência IN)