Procura por fundo de capital protegido em alta

Adriana Diniz, Jornal do Brasil

RIO - Depois das fortes perdas da Bolsa de Valores, no início da crise global em meados de 2008 e diante de uma taxa básica de juros no menor patamar da história Selic a 8,75% alguns bancos estão apostando nos Fundos de Capital Protegido para atrair investidores de perfil moderado, que não se contentam com os rendimentos da poupança e querem diversificar investimentos. A procura pelo produto, que aposta no mercado de ações, mas garante o capital investido mesmo se a variação da carteira for negativa, tem crescido de forma expressiva, de acordo com os bancos.

É um movimento de diversificação dos bancos, em função de os fundos em renda fixa terem perdido rentabilidade. É atrativo também para quem investia na Bolsa, mas até hoje não se recuperou de prejuízos durante a crise e tem medo de voltar apostar em renda variável afirma o professor do Ibmec-Rio, Hélio França.

Lançamentos

Até o final de julho de 2009, os bancos lançaram nada menos de 30 fundos do gênero, com captação líquida superior a R$ 2,5 bilhões, de acordo com dados do site especializado em fundos Fortuna (www.fortuna.com.br).

Regras como prazos e taxa de remuneração variam de um banco para outro, mas, em geral, esses fundos oferecem a rentabilidade total do Ibovespa até um determinado patamar previamente estabelecido. Mas se a variação positiva ultrapassar esse nível, o retorno são juros prefixados, também definidos no momento do contrato.

É a chance de investir em renda variável com a certeza de ter o dinheiro de volta em caso de prejuízo na Bolsa. O cliente terá, no pior dos cenários, o dinheiro investido de volta explica Antonio Cassio Segura, gerente-executivo de investimentos da Diretoria de Varejo do Banco do Brasil.

No caso do BB, o cliente terá apenas a taxa de administração descontada do capital preservado, que varia entre 1% e 2%. O banco já comercializou cinco produtos do tipo, e os últimos três tiveram procura acima da média. Segundo Segura, cada um teve captação de cerca de R$ 86 milhões, enquanto que a média geral de captação de uma carteira é de R$ 75 milhões.

Com a crise, esses investimentos se tornaram uma boa oportunidade ressalta Eduardo Jurcevic, superintendente de investimentos do Santander Brasil. Abrimos quatro fundos do tipo desde o final de 2008 e, nos dois últimos, iniciados no começo de 2009, a procura cresceu 350%.

Resgate

Geralmente, os bancos abrem um período para captação e, depois de fechada a carteira, o investidor só pode mexer no dinheiro ao final do contrato. O prazo costuma variar entre um e dois anos, mas alguns bancos oferecem janelas de resgate que podem ser mensais, bimestrais ou trimestrais.

Como os fundos tem limite de rentabilidade máxima, se o rendimento alcançar o topo estipulado em contrato, pode ser vantajoso para o cliente sacar o que foi investido antes do final do período. É preciso, no entanto, avaliar as taxas que serão cobradas.

O ideal é levar a aplicação até o final do período contratado, a não ser que haja uma janela muito boa, porque com o resgate antecipado, o investidor perde direito ao desconto do Imposto de Renda lembra o executivo do Banco do Brasil.

O tributo, calculado sobre os rendimentos, varia. Para quem deixa o dinheiro aplicado por menos de um ano, a alíquota é de 22,5%, depois de um ano, passa para 20% e acima de 18 meses, cai para 17,5%. A taxa mínima do Imposto de Renda (15%) vale para o fundo com duração de mais de dois anos.

No Banco do Brasil, o mínimo para investir num Fundo de Capital Protegido é R$ 1 mil. Já no Santander, o mínimo é

R$ 5 mil. Outros bancos, como Bradesco, Real e Itaú também oferecem opções de investimento em Fundo de Capital Protegido, mas poucos oferecem a oportunidade das janelas de resgate. Especialistas alertam, no entanto, que não é aconselhável apostar todas as economias nesse tipo de produto.

A pessoa sempre tem que ter um capital disponível para resgate imediato para imprevistos, portanto, não é recomendado investir tudo no longo prazo. Se eu tivesse R$ 20 mil, colocaria apenas R$ 5 mil num fundo de capital protegido ressalta Seguro.

Aplicação é recomendada para médio e longo prazos

Mesmo com as janelas de resgate, os Fundos de Capital Protegido são considerados de longo ou médio prazo e, portanto, não possuem liquidez. Além disso, é bom lembrar que existe a possibilidade de o investimento ter rentabilidade zero e ainda sofrer o desconto das taxas de administração que variam de banco para banco frustrando o investidor.

É um produto de diversificação. Não é para colocar todos os recursos nele. Também não deve ser usado pelo investidor muito conservador ou que tenha objetivos de curto prazo destaca o Jurcevic, executivo do Santander.

Tanto Santander quanto Banco do Brasil afirmam que todos os fundos do tipo estão positivos, por conta do bom comportamento da Bovespa. No Santander, dois dos cinco produtos comercializados já ultrapassaram a barreira da alta.

>> Exemplos de Fundos de Capital Protegido

> Banco do Brasil

Mínimo para investir: R$ 1 mil, mas também tem fundos com mínimo de R$ 25 mil.

Prazo: a maioria é de um ano.

Janelas de resgate: podem ser de uma vez por mês, bimestral ou trimestral.

Regras de rentabilidade

Num dos produtos do BB, há três formas de rendimentos: se a carteira atingir variação positiva de até 40%, o investidor leva 100% dos rendimentos. Se o lucro for maior que 40%, passa então a valer uma taxa pré-fixada em 108% do CDI. No caso de variação negativa, o investidor recebe todo o dinheiro investido de volta, descontando os custos, que não varia de 1% a 2%.

> Banco Santander

Mínimo para investir: R$ 5 mil.

Prazo: geralmente 18 meses.

Janelas: trimestrais, com saque a preço de mercado.

Regras de rentabilidade

Com rendimentos de até 40% na bolsa, o cliente leva todo o lucro. Acima disso, o cálculo é feito sobre uma taxa pré-fixada em 150% do CDI. Mesmo em caso de perdas, o investidor ainda pode sair no lucro. Se a variação negativa for até 20%, o cliente leva os rendimentos em cima de taxa de queda invertida se o fundo perdeu 15%, o investidor ganha 15% de lucro. Abaixo de 20% de queda, o cliente tem o dinheiro preservado, descontando as taxas administrativas.