China desbanca Alemanha como maior exportador mundial

SÃO PAULO, 8 de janeiro de 2010 - A China superou a Alemanha como principal exportador mundial nos primeiros 11 meses de 2009, graças ao melhor desempenho na atual conjuntura de recuperação econômica.

A Alemanha faturou ? 734,6 bilhões (cerca de US$ 1,05 trilhão) nos 11 primeiros meses de 2009, abaixo do US$ 1,07 trilhão faturados pelo país asiático.

A principal economia europeia continua sendo, no entanto, a campeã do comércio exterior per capita com seus 82 milhões de habitantes, frente a 1,34 bilhão de chineses.

O vice-ministro chinês do Comércio, Zhong Shan, já afirmara em dezembro que a China provavelmente superaria a Alemanha como primeiro exportador mundial no conjunto de 2009, apesar de uma desaceleração das vendas para o exterior em consequência da crise econômica mundial.

De todos os modos, as duas potências não disputam a mesma categoria.

A China, estimulada pelo nível do iuane, se tornou a fábrica do mundo, apesar da indústria de exportação conseguir apenas uma margem escassa de lucro.

Já os produtos "Made in Germany" têm um forte valor agregado, com as máquinas-ferramentas, veículos e produtos químicos, fabricados por pequenas empresa muito especializadas ou por gigantes nacionais como Siemens e Volkswagen.

Ironia do destino, a Alemanha aproveitou nos últimos meses o crescimento dos investimentos na Ásia e a demanda chinesa por seus produtos especializados, destaca o analista Carsten Brzeski, da ING.

Mas a maior parte das exportações alemãs (63%) estão destinadas aos sócios europeus, que têm taxas de crescimento bem mais modestas.

Mesmo com a perda do título de líder nas exportações mundiais, o bom desempenho da Alemanha no comércio exterior é um dos raros motivos de otimismo para a economia germânica.

Em novembro, as exportações alemãs registraram um leve retrocesso, de 1,6% na comparação com o mesmo mês de 2008, a 70,6 bilhões de euros, em dados corrigidos de efeitos de calendário, segundo o instituto alemão Destatis.

O excedente da balança comercial alemã também melhorou e ficou em ? 17,2 bilhões, contra ? 13,6 bilhões em outubro, ajudado ainda pela queda de 5,9% das importações, a ? 53,4 bilhões.

"Pelo menos a economia alemã pode se refugiar no velho amigo: as robustas exportações", disse Brzeski, antes de lembrar que o saldo comercial de novembro é o maior desde junho de 2008.

"As exportações continuam sendo o principal motor do crescimento", concordou Alexander Koch, da Unicredit.

Para 2010, a concorrência Berlim-Pequim está aberta.

A China vai enfrentar uma situação ainda mais complicada em consequência das incertezas sobre a demanda mundial e das pressões pela valorização do iuane.

(Redação com agências internacionais - Agência IN)