Indústria: atividade cai puxada por veículos

Adriana Diniz, Jornal do Brasil

RIO - A atividade industrial brasileira registrou a primeira retração (0,2%) em novembro depois de dez meses de crescimento, segundo divulgou quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os automóveis puxaram a queda, com uma parada na produção do setor pela expectativa de fim do incentivo fiscal: o índice de bens duráveis despencou 4,8%. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para carros flex fuel (bicombustíveis) vai até o final de março e para caminhões novos, até 30 de junho.

Os resultados da indústria em novembro não são de todo ruins e apontam que não há superaquecimento. Esse recuo da produção não nos preocupa, porque está concentrado em um só segmento, que crescia 91,7% no acumulado de 2009 afirma o economista Rogério César de Souza, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

A queda na produção de automóveis, segundo especialistas, não pode ser considerada desaceleração do setor ou retração de demanda, já que a venda de veículos novos bateu recorde de vendas em dezembro de 2009 e encerrou o ano com crescimento de 11,35%, conforme dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Na comparação com novembro de 2008, período de auge da crise, a indústria cresceu 5,1%. Para o economista da Mercatto Gestão de Recursos Paulo Veiga, a retração em novembro reflete apenas uma acomodação da indústria depois de um longo período de crescimento.

A leve queda pode ser encarada como um retorno à normalidade. As oscilações dos níveis de produção eram comuns antes da crise. O que é normal, porque a produção está relacionada a muitas variáveis como insumos, demanda e preços avalia Veiga.

Nos 11 primeiros meses de 2009, a indústria teve queda de 9,3% e, no acumulado entre novembro de 2008 e novembro de 2009, a queda foi de 9,7%. Com exceção do setor de consumo de bens duráveis, todos os outros mantiveram o ritmo de crescimento. Um dos destaques foi bens de capital, um dos mais afetados durante a crise, que teve a oitava alta consecutiva: 6,1%.

Para os economistas, a recuperação do setor de bens de capital pode ser interpretada como a retomada dos investimentos na indústria, incentivada pelo retorno da oferta de crédito no mercado.

Essa evolução reflete a melhora das expectativas e, caso seja mantida, é um forte indício de que o país não terá pressões inflacionárias devido a um descompasso entre demanda e oferta afirma o economista do Iedi. Na comparação com o mesmo mês de 2008, o setor registra queda de 2,5%. No acumulado de 2009, a retração é de 20,2% e de 19,8% nos 12 meses anteriores.