Deppis do Natal, consumidor carioca troca e compra mais

Adriana Diniz, Jornal do Brasil

RIO - No primeiro fim de semana depois do Natal, a tradicional visita às lojas para trocar produtos ganhou reforço este ano com a falta de mercadorias no comércio. Em alguns casos, consumidores preferiram esperar a reposição dos estoques para comprar presentes, o que favoreceu lojistas durante as trocas. Vendedores conseguiram agregar valor às vendas enquanto cariocas procuravam o tamanho certo de roupas e sapatos.

O comerciante Carlos Gouvea, 28 anos, deixou para comprar o presente da esposa, a secretária Márcia, depois do Natal. Como compensação, procurava uma jóia para a mulher enquanto a ajudava nas trocas. Eles não queriam perder muito tempo no shopping lotado e, por isso, o casal resolveu se dividir: cada um foi trocar suas coisas.

Ela comprou a calça correndo, chegando em casa experimentou e não gostou. Troquei por duas camisas para mim contou Carlos, saindo da loja.

Os lojistas aproveitaram para agregar valor à troca, incentivando os funcionários a oferecer outros produtos. Na Afgahan, a vendedora que faturasse pelo menos R$ 100 na troca seria premiada com uma mercadoria da grife. Segundo a gerente da loja de moda feminina no Shopping Tijuca, Silvana Menezes, do movimento do fim de semana, 70% era para a troca de produtos.

Não tivemos nenhuma troca zerada. Cada uma teve um valor agregado de pelo menos R$ 30 comemorou a gerente.

A universitária Luiza Gayer, de 24 anos, ficou encarregada de fazer as trocas para toda a família: uma bolsa e um vestido da mãe, duas bermudas do irmão e, dela mesmo, só um relógio.

Meus pais viajam amanhã e estão enrolados com os preparativos, então fiquei com a missão de fazer as trocas conta a estudante, que não conseguiu resolver tudo O vestido que minha mãe ganhou de amigo oculto ficou apertado e não tinha o número dela para trocar. Vou levar de volta, depois ela vem escolher outra coisa.

Tamanho errado é o motivo principal das trocas, segundo consumidores e lojistas. A publicitária Priscila Vidal, 31 anos, que o diga. Todo ano, ela troca os presentes errados que recebeu no dia 26.

Não tem um ano sequer que não precise fazer trocas. Quase sempre por conta de tamanho errado. Esse ano troquei uma saia que não era meu número, um vestido que estava com defeito e ainda um sapato para o meu pai e uma sandália para a minha sobrinha, ambos com o número errado explicou Priscila.

A publicitária, no entanto, já sabia que precisaria voltar ao shopping desde o dia em que fez suas compras de Natal, no dia 22 de dezembro. Ela acabou não achando o tamanho que queria e comprou de outro número para trocar depois.

- Alguns eu até reservei o número certo pra garantir a troca - acrescentou.

Na Taco, os vendedores que conseguissem oferecer mais uma peça ao atender uma troca, ganhavam um chocolate. Tivemos 80% de troca no fim de semana. Aproveitamos para oferecer a roupa para o ano novo. Os dias de troca são importantes nessa época. É o que dá movimento nas lojas , afirmou o gerente da Taco no Shopping Tijuca, Rodolpho Baylac, que acredita na continuidade do movimento de trocas em janeiro.

Segundo o gerente, 60% das trocas realizadas no fim de semana foram por tamanho. Segundo ele, muita gente, assim como Priscila, deixa para fazer compras de última hora e acaba levando qualquer número para trocar depois.

Foi o caso do lojista Rafael Gama, de 24 anos. O irmão comprou a bermuda que ele queria, mas de outro tamanho, porque não achou o número certo. Rafael, que trabalha numa loja próxima ao shopping correu para ver se encontrava o tamanho, logo depois de sair do trabalho. Vim logo, porque se não achar meu número aqui vou procurar em outra Taco .

Para Nadia Precioso, gerente da Enjoy, o momento da troca é a melhor hora também para estreitar laços com o cliente. Na troca é que a gente fideliza o cliente. Ele percebe a boa vontade das vendedoras em conseguir o modelo ou número desejado, de pedir em outra loja. É um cliente que com certeza vai voltar se for bem atendido , afirma Nadia, acrescentando que 80% do movimento da loja foi para trocas e que as vendedoras conseguiram faturar em média R$ 180 em cada atendimento.