Desigualdade está longe de ser reduzida, mas pode melhorar

SÃO PAULO, 23 de dezembro de 2009 - O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Entre os países de alta renda per capita, o Brasil se mantém como o mais desigual há muitos anos. O País disputa esse título com países africanos que possuem pouca ou nenhuma trajetória democrática e com longo histórico de guerras civis. E todo essa problemática, pode estar relacionado com raízes históricas, como o processo de colonização e escravidão, raízes políticas, por conta de uma elite conservadora a mudanças estruturais, e econômicas, por conta da existência de um modelo de crescimento que não tem tido melhoria na qualidade de vida para grande parte da população.

Pedro Chadaverian, professor da Universidade Federal de São Carlos, afirma que "reduzir a desigualdade certamente não é o melhor caminho para maximizar o crescimento econômico, mas é fundamental para garantir o desenvolvimento, ou seja, a expansão da economia com bem-estar para o conjunto da população". Na China, a economia cresce com a expansão das desigualdades, já nos Estados Unidos, Europa e Japão, onde a desigualdade de renda e riqueza é significativamente menor, o poder aquisitivo das famílias é muito maior, impulsionando a internacionalização, o que acaba retraindo esse crescimento.

"Uma das políticas para reduzir a desigualdade, é uma estrutura tributária progressiva, ou seja, fazer os mais ricos pagarem proporcionalmente a sua renda e riqueza, mais impostos que os mais pobres", explica Chadaverian. Para isso, é necessário também controle estatal nos setores de saúde, previdência e educação, completa o professor.

Um dos motivos que mais alavancaram a desigualdade no mundo, causando uma crise econômica global, foi o colapso na Bolsa de Nova York e a crise de 1929. Em 29, os países avançados cresciam sem que houvesse uma contrapartida equivalente para os trabalhadores, ou para o sistema de seguridade social. Isto significa que os ganhos de produtividade das empresas ficavam retidos no lucro do capitalista. Ao mesmo tempo, o desemprego crescia em conseqüência da incorporação de novas tecnologias.

Na prática, a capacidade produtiva aumentava, sem que a capacidade de consumo pudesse acompanhá-la. A isso, acompanhou-se um forte movimento especulativo nas bolsas de valores. "A desigualdade vem aumentando no mundo, desde a crise de 1974. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), superávamos, em 2005, apenas a Guatemala, Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Namíbia, Botsuana e Lesoto, em um conjunto de mais de 100 países, onde o menos desigual era a Dinamarca", diz Chadaverian.

(Niviane Magalhães - Agência IN)