Participação de estrangeiros na dívida aumenta apesar de IOF

SÃO PAULO, 22 de dezembro de 2009 - Em vigor desde o fim de outubro, a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas aplicações financeiras internacionais no Brasil não afetou o interesse dos investidores estrangeiros. Segundo números divulgados pelo Tesouro Nacional, a participação dos aplicadores externos na dívida mobiliária (em títulos) interna voltou a bater recorde e fechou novembro em 7,77%.

Em outubro, a participação também tinha batido recorde e atingido 7,68%. Em valores, a participação subiu de R$ 101 bilhões para R$ 104 bilhões no período, também nos maiores níveis já registrados.

Segundo o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, a cobrança de 2% de IOF sobre aplicações estrangeiras não afetou o interesse internacional nos papéis da dívida brasileira. Ele disse que isso ocorreu porque os estrangeiros que investem no Brasil estão interessados em títulos de longo prazo, que são menos afetados pela tributação. "Como a participação dos estrangeiros se concentra em papéis de longo prazo, o IOF, como vínhamos dizendo, não teve impacto sobre a dívida pública", afirmou Garrido.

Para ele, o interesse dos estrangeiros nos papéis brasileiros continuará a apresentar tendência de aumento nos próximos meses. "Os investidores de longo prazo estão mais interessados nos fundamentos da economia do que na tributação", destacou.

Garrido afirmou ainda que o cenário em 2010 não complicará a administração da dívida pública. Na avaliação dele, o país está muito mais bem preparado para enfrentar um ano de eleições sem sobressaltos no endividamento interno e externo. "Na nossa visão, a dívida pública não será um problema a ser enfrentado pelo país em 2010, até porque houve uma grande melhoria da composição e alongamento dos prazos", declarou.

Nos últimos anos, o governo mudou o perfil da dívida pública. A prioridade é para o aumento nos títulos prefixados, que têm remuneração definida com antecedência, o que permite ao governo saber exatamente quanto pagará aos investidores na hora de resgatar os títulos. O Tesouro também alongou os prazos, para diminuir a frequência com que a dívida é renovada.

De acordo com Garrido, uma prova de que a questão eleitoral não influenciará a dívida pública é que o Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2010 terá bandas mais estreitas. "O componente político não será relevante, dada a melhoria na composição", explicou.

Divulgado no início de cada ano, o PAF traz parâmetros que regem a administração da dívida pública. O documento estabelece limites mínimos e máximos para indicadores como o estoque da dívida, a composição, o prazo médio e a proporção da dívida que vence em até 12 meses. Uma banda mais estreita significa que o governo pretende reduzir a variação entre esses limites. As informações são da Agência Brasil.

(Redação. - Agência IN)