Economia mundial ainda vive impacto da crise

SÃO PAULO, 22 de dezembro de 2009 - À beira do precipício no início de 2009, a economia mundial parece ter entrado em convalescença graças às intervenções dos poderes públicos, mas continua profundamente marcada pela pior crise financeira atravessada pelo planeta desde os anos 1930.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos despencou 6,4% no primeiro trimestre em ritmo anual. A primeira economia do mundo eliminou então cerca de 700.000 empregos por mês.

No mesmo período, a zona euro conheceu a pior contração de atividade em sua jovem história, com um retrocesso de 2,5% de seu PIB, o que corresponde a cerca de 10% em ritmo anual. No Japão,a economia caiu 14,2%.

Segundo um estudo dos economistas da Universidade da Califórnia e do Trinity College de Dublin, o comércio internacional e os mercados financeiros desabaram fortemente nos 12 primeiros meses da crise do que depois do crash de 1929. Além disso, a queda da atividade industrial foi comparável à observada no princípio da grande depressão.

"Mas, ao mesmo tempo, a resposta em termos de medidas monetárias e orçamentárias, não apenas nos Estados Unidos, como também no mundo inteiro, foi mais rápida e mais forte dessa vez", destacaram os economistas.

Os bancos centrais reduziram drasticamente suas taxas de juros - a quase zero nos Estados Unidos, algo jamais visto - e injetaram milhões no sistema financeiro para restabelecer o acesso ao crédito.

"A diferença entre o período atual e a grande depressão é que, nos anos 30, o Fed [o banco central dos Estados Unidos] deixou que a massa monetária caísse e não agiu de uma maneira firme", explica Nariman Behravesh, economista chefe do IHS Global Insight.

A economia norte-americana retomou o crescimento no terceiro trimestre de 2009, com o PIB em alta de 2,8% (a ritmo anual) depois de quatro trimestres de retrocesso. No Japão, o crescimento alcançou 1,3% sobre o mesmo período. A zona euro também viu seu PIB progredir, mas moderadamente (+0,3%).

A China, que conheceu uma diminuição da velocidade (mas nenhuma recessão) de sua atividade e adotou medidas maciças de reativação, fixou um crescimento de 8,9% entre julho e setembro.

O FMI prevê um crescimento mundial de 3,1% em 2010 depois de uma contração de 1,1% este ano, a mais forte desde a Segunda Guerra Mundial.

Mas Joachim Fels, economista do banco Morgan Stanley, advertiu que a economia mundial vai conhecer uma recuperação "sem crédito e desempregada" nas dez principais potências mundiais, com uma paralisação que deve permanecer elevada nos Estados Unidos, Europa e Japão.

(Redação com agências internacionais - Agência IN)