Bovespa fecha com a 5ª queda seguida

Portal Terra

SÃO PAULO - A reboque da virada nos mercados de commodities, a bolsa paulista esmoreceu no final da sessão marcada pelo vencimento de opções e cravou a quinta baixa seguida, descolando dos ganhos de Wall Street.

Puxado pelo mau desempenho de Petrobras e de companhias ligadas a metais, o Ibovespa caiu 1,3%, aos 65.925 pontos, no menor nível de fechamento desde 13 de novembro. O giro financeiro de R$ 9,8 bilhões teve participação dos R$ 3,96 bilhões do exercício de opções, o maior desde maio de 2008.

Para profissionais do mercado, a virada na bolsa reforçou a leitura de que vários investidores, satisfeitos com os ganhos obtidos em 2009, estão preferindo vender ações, pelo menos enquanto não enxergam novos fatores de valorização do mercado.

"O cenário para 2010 ainda parece bastante azul para a economia brasileira, mas muito disso já está embutido nos preços", disse Newton Rosa, economista-chefe da SulAmerica Investimentos. "Por isso, os motores estão sendo desligados."

A bússola para os negócios foi a performance nos mercados de matérias-primas, positivo pela manhã, mas revertendo à tarde depois que o dólar passou a ganhar força frente às principais moedas internacionais.

A ação preferencial da Petrobras desabou 3,24%, a R$ 35,20, encerrado o exercício de opções, quando passou a refletir a virada para baixo no barril do petróleo. A preferencial da Vale também reverteu, mas de forma menos intensa, para cair 1,3%, R$ 40,90.

A Companhia Siderúrgica Nacional tombou 3,3%, a R$ 53,60, na segunda queda forte após a empresa ter anunciado na sexta-feira uma oferta para comprar a Cimpor, maior produtora de cimento de Portugal, em um negócio de quase 5,7 bilhões de euros (US$ 8,1 bilhões).

De pouco adiantou a influência de Wall Street, onde os principais índices subiam amparados no otimismo dos investidores com novas fusões de grandes empresas e melhores recomendações para companhias como Alcoa e Intel.

Na outra ponta do Ibovespa, MMX ficou entre as líderes de alta, com valorização de 2,1%, a R$ 12. A mineradora informou pela manhã que obteve aval do governo do Chile para o desenvolvimento de um novo porto no País.

Foi uma exceção entre empresas ligadas a matérias-primas. Em parte dos casos, os recursos saíram desse setor e migraram para papéis de concessionárias de serviços públicos, como teles e distribuidoras de energia. Foi o que colocou Vivo em evidência, com avanço de 3,3%, a R$ 53.

Lojas Renner subiu 0,7%, a R$ 36,76, após o Morgan Stanley ter elevado a recomendação dos papéis da companhia para "overweight" (acima da média do mercado).