Consumo residencial e comercial atingiram volume industrial

Raphael Zarko, Jornal do Brasil

RIO - O aumento da renda das famílias brasileiras, os incentivos tributários do governo para o consumo e a crise mundial que impactou a indústria mudaram a estrutura do mercado brasileiro de energia elétrica. Pela primeira vez, o consumo residencial (8.529 gigawatts) e comercial (5.518 gigawatts), juntos, empataram com a demanda das indústrias (14.821 gigawatts) em outubro, de acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Já o consumo nacional de energia de 33.722 gigawatts foi o maior valor desde dezembro de 2008. No entanto, o volume consumido é 1,1% menor em relação a outubro do ano passado.

Tanto o consumo de energia residencial como no comércio tem um fator muito importante que é o do aumento da renda. Claro que tem outros fatores como a isenção de impostos do governo (o IPI verde da linha branca), mas foram o aumento do salário mínimo e o Bolsa Família que mantiveram o ritmo no mercado interno afirmou Maurício Tolmasquim, presidente da EPE.

Para ele, houve um aumento estrutural de renda, com as classes mais baixas adquirindo mais eletrodomésticos: Vemos um movimento: as classes D e E migrando para a C. Isso não vem de agora, mas é curioso que tenha empatado com o setor industrial .

Para Tolmasquim, o setor industrial ainda sente muito a falta das encomendas do mercado externo, apesar da boa recuperação e de ter marcado em outubro o maior consumo energético do ano.

As indústrias siderúrgicas, de alumínio, principalmente, consomem muita energia, e são justamente essas que são voltadas para o mercado externo. No mercado interno, de maneira geral, foi mantido o ritmo.

Segundo o boletim da EPE, o consumo de energia elétrica nas residências poderia ter sido ainda maior, pois São Paulo não cresceu como na média do ano, com alta de 2,2% em outubro. O consumo energético do estado paulista corresponde a 60% da região Sudeste e 30% do país.

Por outro lado, a indústria hoteleira, no Nordeste, foi a responsável pela expansão do consumo, notadamente nos estados do Ceará e Maranhão, com 5,3% e 16,5%, respectivamente.

É uma região que vem crescendo muito, que trabalha muito bem o turismo comentou Tolmasquim. O Nordeste gastou 1.489 gigawatts (variação de quase 10% com relação ao último mês), contra 4.587 gigawatts do Sudeste (3,9% a mais que setembro).

A recuperação na indústria ainda não foi capaz de converter os seguidos meses negativos do pós-crise. Se em outubro do ano passado, o consumo de energia batia os 16 mil gigawatts, em janeiro deste ano despencava para 12 mil gigawatts. A recuperação, no entanto, é gradativa, chegando próximo aos níveis de 2007.

A região Sudeste, com o maior parque industrial no país - portanto, aonde houve maior queda no consumo de energia teve recuo de 12% em relação a outubro do ano passado, maior que a média negativa do consumo no país (-9,9%). São Paulo é o destaque nessa retomada, com média de julho a outubro 10% maior que o primeiro semestre de 2009.