Expectativa por medidas cambiais limita oscilações do dólar

SÃO PAULO, 23 de novembro de 2009 - Respondendo à projeções mais otimistas para a economia dos Estados Unidos e China, os mercados acionários mundiais operaram com ganhos nesta segunda-feira. Ajudou a dar suporte aos negócios o avanço no preço das commodities e indicadores econômicos. O dólar chegou à mínima de R$ 1,717, mas fechou estável, vendido a R$ 1,73.

A National Association for Business Economists (Nabe) elevou a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano a 2,9% em 2010, ante estimativa anterior de 2,6%. Já o governo chinês previu crescimento de mais de 10% no último trimestre de 2009. Somado à isso, as vendas de imóveis usados nos EUA cresceram 10,1% em outubro, para taxa anualizada de 6,10 milhões de unidades vendidas. Os números, que surpreenderam positivamente os analistas, ajudaram a dar fôlego aos investidores.

Outra notícia importante foi dada pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. Segundo ele, o BC pretende antecipar-se ao G-20 e baixar medidas para ampliar a segurança bancária, em um cenário de expansão do crédito.

As especulações sobre novas regras cambiais também continuam rendendo notícias. Circula pelas mesas que o governo estuda a liberação dos fundos multimercados nas aplicações no exterior, além da ampliação das aplicações financeiras no exterior, com a criação de uma conta-investimento para pessoas físicas e a elevação de 30% para 100% do limite dos fundos de investimentos. "Essas, entre outras expectativas têm garantido a sustentação do dólar acima de R$ 1,70", comenta um operador.

Para a Ativa Corretora, a criação de sucessivas alíquotas sobre os investimentos acabam gerando uma reação negativa do mercado, na medida em que aumenta o receio de que a adoção de novas medidas se intensifique, ainda que o impacto para os investidores de longo prazo continue a ser reduzido com a nova alíquota. Após taxar o capital estrangeiro em 2%, para conter a sobrevalorização do real, o governo anunciou nova cobrança de 1,5% sobre a criação de DRs.

Ainda assim, os analistas continuam apostando na tendência de queda do dólar. A edição atualizada do boletim Focus mostrou que o mercado aposta em câmbio de R$ 1,70 no fim de 2009 e R$ 1,75 em 2010.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)