Brasil é o país que mais vende para o Irã na AL

Marta Nogueira, Jornal do Brasil

RIO - Mesmo com uma relação comercial pouco expressiva com o Irã, para onde dedica apenas 0,75% de suas exportações, o Brasil é a nação que mais exporta para o país na América Latina, com um saldo de US$ 921,6 milhões em 2009 até outubro. Neste ano, as exportações já cresceram 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado e, no acumulado de 2003 a 2008, houve um aumento de 30% das vendas, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), da Mdic, o Irã apresenta um mercado muito interessante para o Brasil, pois além de carecer de uma série de elementos que o mercado nacional produz em grande escala, como alimentos e bebidas, as características econômicas são extremamente propícias.

Atualmente, o território iraniano ocupa 1,648 milhão de quilômetros quadrados, com 70 milhões de habitantes, a mesma quantidade verificada na França. De 2003 a 2008, conseguiu um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 5,2%, resultado superior ao da América Latina no mesmo período declarou o coordenador da Unidade de Inteligência Comercial da Apex-Brasil, Marcus Lelis Podemos dizer com firmeza que o Brasil só tem a ganhar investindo no estreitamento das relações comerciais com este país, que é essencialmente exportador de petróleo e apresenta uma indústria pouco desenvolvida.

O Irã possui metas e programas de desenvolvimento econômico até o ano de 2025, tendo em vista que está na maior zona de produção de gás do mundo e já tem projetos estruturados até 2014 com políticas educacionais avançadas. Já existem 289 universidades no país, com possibilidade de ampliação.

Segundo a Mdic, o país pretende ampliar o número de parceiros comerciais na América Latina, expandindo sua atuação por meio de ciência, nanotecnologia, biotecnologia, energia e infraestrutura. Além disso, reforçou alguns setores para a aproximação bilateral com o Brasil, como bancário, segurador, tecnológico, de petróleo e gás, saneamento básico, energia elétrica, indústria, minas e energias, comércio, agronegócio e turismo, em que há grandes oportunidades para investimentos externos.

Os iranianos têm 18 bancos (10 do governo e oito privados), 17 mil redes espalhadas pelo país, filiais e representações bancárias na América Latina e Europa (mas nenhuma ainda no Brasil), 20 companhias de seguros (16 privadas e 4 públicas), dentre outros órgãos.

Crise financeira

Da mesma forma que afetou o comércio no mundo inteiro, as relações entre os dois países foram prejudicadas no fim do ano passado com a recessão economica internacional, mas já apresentam sinais positivos. Os negócios tiveram um decréscimo de 40% de 2007 para 2008. A queda na participação do Irã nas exportações brasileiras foi de 1,4% para 0,57%. Este ano, até outubro, este número já subiu para 0,75% , destacou Lelis. A tendência é recuperar aos poucos .

Para especialistas, não vale a pena isolar país

O estreitamento das relações diplomáticas entre entre Brasil e Irã, para muitos especialistas, tem pouco a ver com questões econômicas. A maioria acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende colocar o país em uma posição política privilegiada em relação ao resto do mundo.

Eu acho que o Brasil está tentando fazer um papel de player internacional importante. A intenção é se colocar como árbitro das discussões mundiais que estão em alta, reforçando a posição destacada que apresenta declarou o diretor do curso de relações internacionais da ESPM, Alexandre Espírito Santo Está realmente faltando um intermediário de fora, o país é um novo player, entra mais livre e sai por cima da história.

Mesmo com uma posição política polêmica diante do mundo, estudiosos acreditam que não vale a pena isolar um país como o Irã.

O Brasil está crescendo muito e precisa se relacionar bem com o máximo de países. Principalmente o Irã, que tem um peso importante na contribuição com energia destacou Georgio Romano, do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional da UFV.

Dentre os principais produtos exportados pelo Brasil para o Irã estão os alimentos, como carnes, milho em grãos e açúcar, mas segundo especialistas, o potencial da industria brasileira precisa ser explorado.

O quinto setor mais exportado pelo Brasil é o de fabricação de caminhão e ônibus. Temos a possibilidade de elevar este número consideravelmente, tendo em vista que a indústria do nosso país está muito a frente da Iraniana - disse o coordenador da Unidade de Inteligencia Comercial da Apex-Brasil, Marcus Lelis. (M.N)