Dólar ignora instabilidade externa e marca quarta queda seguida

SÃO PAULO, 6 de novembro de 2009 - A semana chega ao fim com importante divulgação no front externo. Os dados de desemprego nos Estados Unidos ditou a tomada de decisão dos investidores, trazendo certa volatilidade aos ativos do mundo inteiro.

Apesar do número negativo do Payroll, seus efeitos foram absorvidos ainda pela manhã, prevalecendo no restante do dia a entrada de recursos no País. Com isso, o dólar marcou a quarta queda consecutiva ante o real e fechou vendido a R$ 1,718, após intervalo no movimento de depreciação no último dia 30.

No curto prazo, a perspectiva é de que dólar prossiga em trajetória de queda no mundo todo, inclusive contra o real, influenciado, além da debilidade da economia norte-americana, pelos fundamentos domésticos, como alta taxa de juros paga em reais e diferencial de crescimento econômico pós crise do Brasil, se comparado com o resto do globo. Para a LCA Consultores, o País deve apresentar expansão de 0,6% em 2009, enquanto que o resto mundo deve se contrair 1,3%. Em 2010, o Produto Interno Bruto (PIB) deve despontar por aqui e crescer 5,6%.

Em outubro, a economia norte-americana eliminou 190 mil postos de trabalho, refletindo a situação do setor de bens de produção (-129 mil) e de construção civil (-62 mil). A taxa de desemprego, por sua vez, avançou para 10,2%, mais do que o esperado (9,9%).

Segundo analistas, ainda não existem fundamentos de recuperação do consumo nos EUA, sem estímulo do governo, que também tem seus limites. "Por isso, os investidores operam cautelosos em relação ao excesso de otimismo, que parece permear os mercados ultimamente, favorecendo uma inversão rápida dos agentes expostos ao risco", avalia um profissional.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)