Desequilíbrios cambiais estão na pauta do G-20

Jornal do Brasil

RIO - A reunião dos ministros de Finanças do G-20 neste fim de semana vai discutir como lidar com o excesso global de reservas cambiais, e o debate deve incluir a disparidade entre moedas controladas e flutuantes, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Os ministros do G-20, segundo Mantega, também devem decidir se os países deveriam seguir o exemplo brasileiro de taxar sobre o capital externo para brecar a especulação.

Temos o perigo dos desequilíbrios, muito capital para países produtores de commodities como Brasil, Austrália e África do Sul. Precisamos decidir o que podemos fazer sobre isso porque temos países com moedas atreladas (a outras) e moedas flutuantes, como a do Brasil disse ontem em Londres o ministro da Fazenda.

O encontro dos ministros de Finanças do G-20 ocorre hoje e amanhã na Escócia.

No mês passado, o Brasil resolveu impor alíquota de 2% de IOF sobre investimentos estrangeiros para ações e renda fixa.

Precisamos decidir se todos adotam taxação sobre o fluxo de capital ou deixam o câmbio flutuar livremente complementou.

Para Mantega, o Fundo Monetário Internacional tem um papel a desempenhar para ajudar os países a reduzirem suas reservas cambiais, como parte de um reequilíbrio global que precisa ocorrer entre os EUA e os países asiáticos com superávit em conta corrente.

Concordamos com a tese de que podemos operar com menos reservas. Isso significa que o FMI deve garantir a sustentabilidade financeira dos países. Posso ter menos reservas se o FMI me der um swap(contrato futuro baseado na variação de ativos, como juros e moeda). Então, poderei ter dinheiro quando precisar explicou.

Mantega disse também que há consenso entre os países do G-20 sobre a necessidade de reduzir o superávit em conta corrente de economias de rápido crescimento.

O ministro acrescentou, no entanto, que boa parte do ingresso recente de capital é resultado das medidas anticíclicas adotadas pelos EUA e outros países, para impulsionar a demanda.

Há muito carry trade (aplicação baseada em crédito mais barato efetuada em países com juros mais elevados) porque o dólar está muito barato e as taxas de juros são muito baixas nos EUA disse.

Mais cedo, Mantega disse a investidores que o IOF era uma medida única para reduzir o fortalecimento exagerado do real, que afeta os exportadores brasileiros.

O ministro da Fazenda anunciou também que o Brasil não tem outros planos para limitar os ingressos especulativos porque o fluxo global de capitais deve voltar ao equilíbrio assim que os EUA aumentarem os juros, e os países reduzirem o excesso de liquidez.

É claro que, se restabelecer o equilíbrio, nós podemos remover a taxação disse Mantega.

O Brasil planeja vender bônus denominados em reais no mercado internacional para fortalecer o papel do real como moeda internacional acrescentou o ministro.

Fizemos isso no passado, e pretendemos fazer no futuro, para estimular o real como moeda internacional. Não decidimos quando vender no mercado mundial concluiu o ministro da Fazenda .