Produção industrial mais baixa favorece queda dos DIs

SÃO PAULO, 3 de novembro de 2009 - O resultado da produção industrial mais baixa que o esperado pelo mercado contribui para a redução nas projeções de juros futuros. Na BM&FBovespa, há pouco o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 cedia de 10,34% para 10,24% ao ano.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial brasileira registrou crescimento de 0,8% em setembro deste ano, em relação ao mês anterior, na série livre de influências sazonais. Com isso, o indicador mantém uma sequência de nove meses seguidos em alta. O dado ficou perto do piso das estimativas dos analistas que previam crescimento entre 0,60% e 2,50%, com mediana de 1,50%.

A equipe econômica da Gradual Investimentos, comenta que apesar de ter vindo pior que o projetado a produção industrial guarda uma agradável surpresa: a produção de bens de capital avançou 5,8% na variação mensal dessazonalizada em setembro.

Os agentes monitoraram ainda o boletim Focus. Segundo o documento, a estimativa para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano ficou estável, com avanço de 0,18%. Para 2010, a expectativa positiva também manteve-se inalterada em 4,80%. Os analistas apostam ainda na taxa básica de juros (Selic) em 8,75% ao ano, em 2009; com elevação para 10,50% em 2010.

Já estimativa de inflação (IPCA) teve leve baixa de 0,02 ponto percentual, para 4,27% neste ano. Na mesma direção, para 2010, o índice recuou de 4,50%, para 4,45%.

No front externo, o cenário negativo nos mercados financeiros do exterior continua gerando cautela entre os investidores. O mercado segue preocupado com a cena externa, e a dúvida é se a volta do crescimento nos Estados Unidos, confirmada na semana passada, pode se sustentar sem os estímulos concedidos pelo governo.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)