Dados da produção estimulam queda das taxas dos DIs

SÃO PAULO, 3 de novembro de 2009 - A curva de juros futuros apontou queda com os investidores reagindo aos dados da produção industrial que veio mais baixo que o esperado pelo mercado. Na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 fechou com taxa anual de 10,26%, ante 10,34% do fechamento anterior.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial brasileira registrou crescimento de 0,8% em setembro deste ano, em relação ao mês anterior, na série livre de influências sazonais. Com isso, o indicador mantém uma sequência de nove meses seguidos em alta. O dado ficou perto do piso das estimativas dos analistas que previam crescimento entre 0,60% e 2,50%, com mediana de 1,50%.

A economista-chefe da ICAP Brasil, Inês Filipa comenta que apesar da variação negativa no acumulado do ano, taxa de -11,6%, a indústria vem mostrando recuperação moderada, destaque para os incentivos fiscais adotados pelo governo, impulsionando alguns setores de consumo. A média móvel segue em alta, taxa de 1,4%, confirmando o desempenho favorável nos últimos meses, destaque nesta apuração para a expansão dos bens de capital, sinalizando crescimento dos investimentos, em linha com a recuperação da confiança dos empresários. "A produção deve encerrar o ano com queda em torno de -7,8% e voltar a crescer em 2010", finaliza a economista.

De acordo com um operador de renda fixa, o resultado da produção industrial foi considerado modesto e com isso diminui as chances de uma inflação mais acelerada, levando os analistas a reavaliarem suas apostas de aumento na taxa Selic no decorrer de 2010.

Ainda na agenda interna, foi divulgado o boletim Focus, revelando que a estimativa de inflação (IPCA) teve leve baixa de 0,02 ponto percentual, para 4,27% neste ano. Na mesma direção, para 2010, o índice recuou de 4,50%, para 4,45%

Os agentes avaliaram também a notícia de grandes empresas que anunciaram cortes de funcionários. A Johnson & Johnson informou que cortará cerca de 6% a 7% de sua força de trabalho global, entre 7 mil e 8 mil vagas. O HSBC, banco britânico, informou que cortará 1,7 mil vagas no Reino Unido.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)