Empresa desenvolve nova solução para reaproveitamento de gás metano

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A joint venture Ultra Green Energia do Brasil, criada entre a brasileira A&G, empresa especializada em aquisição de participação em empreendimentos de energia, e a inglesa Ultra Green, companhia que produz novas técnicas de produção, traz uma técnica inovadora de transformação de gás metano um dos principais agentes do efeito estufa em energia. Através de pequenas usinas itinerantes instaladas em lixões, o gás vira energia elétrica e biocombustível, mais conhecido como biometanol.

Transformar lixo em energia não é uma novidade, mas a nova técnica já desperta interesses. A joint venture, criada em agosto deste ano, já negocia oito acordos, sendo seis com prefeituras e duas com empresas produtoras de energia. A pequena usina é construída dentro de um contêiner e tem capacidade de se locomover. Ela pode ser instalada em um lixão ou o lixo pode ir até o local onde está o empreendimento, que também pode ser ligada ao sistema de transmissão mais próximo. Além de solucionar um dos principais problemas das cidades brasileiras, os aterros de lixo, as usinas também reaproveitam resíduos hospitalares e de esgoto.

Segundo o diretor comercial da Ultra Green, Julian Beach, 24 toneladas de lixos produzem 1 MW e cada habitante do país produz 1 Kg de lixo por dia. Como no Brasil há 188 milhões de habitantes, 188 milhões de lixo são produzidos por dia, que além de hidrelétricas e biocombustíveis como fontes limpas de energia ainda conta com o grande potencial de geração do lixo.

Essa nova forma de gerar energia através do lixo, de restos hospitalares e de estação de esgotos não deixa resíduos e ainda resolve problemas ambientais, como a redução de emissões de gases poluentes à atmosfera ressaltou o executivo.

Beach explica que para a geração de 1 MW nessa usina são necessários investimentos de R$ 4 milhões, enquanto que em uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) o custo fica entre R$ 5 e R$ 6 milhões. Ou seja, o novo empreendimento pode custar de 30% a 50% mais barato do que de uma PCH. Esse valor varia de acordo com o tipo de lixo e de contrato, como por exemplo, se a usina será fixa ou itinerante, ressalta o diretor da Ultra Green. O retorno do investimento é de curto prazo: de três a quatro ano, no máximo, explica Julian Beach.

Outro detalhe essencial no projeto é que a sua instalação deve obedecer os mesmo critérios de licenciamento e burocracia ambiental de qualquer outro empreendimento de energia: licença prévia, de instalação e de operação, devendo obedecer os critérios de construção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Fim dos lixões

Com a nova usina, os famosos lixões estão com os dias contatos. O diretor da A&G, Afonso Paulo Ribeiro da Rocha, explica que a empresa coletora de lixo de uma cidade pode recolher os restos e levar diretor para o empreendimento, que vai produzindo energia de acordo com a chegada do lixo. De acordo com o executivo, essa seria mais uma medida de combate aos aterros.

- Não precisa ter mais lixão. É um empreendimento com muitas vantagens para o meio ambiente e consequentemente para a população destacou.

As usinas ainda não são construídas no Brasil. Vêm da Inglaterra e demoram de seis a nove meses para serem concluídas. Mas o objetivo da joint venture é produzi-las no Brasil o mais rápido possível, já que o país possui expertise sobre essa questão de fontes renováveis de energia, produção de motores, engenharia e mão de obras especializada.

O objetivo é nacionalizar os produtos mais rápido possível e montar toda a cadeia de produção da usina aqui no Brasil disse.

Além disso, os diretores da empresa querem expandir a técnica para outros países da América Latina, após experiências bem sucedidas na Europa e nos Emirados Árabes, como em Dubai, onde está instalada a menor planta, que produz 0,7 MW por dia através de quatro toneladas de lixo.