América Latina deve pensar antes de retirar estímulo fiscal

SÃO PAULO, 23 de outubro de 2009 - Os países da América Latina devem pensar em quando e como vão retirar seus pacotes de estímulo econômico, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Nos países mais bem preparados, que conseguiram adotar medidas de estímulo monetário e fiscal, os governos devem decidir quando começar a retirar o estímulo e com qual ritmo isto será feito", explicou o texto.

"Retirar o estímulo muito rapidamente acarretaria em riscos, pois a recuperação mundial ainda não está bem instalada, mas retirar os incentivos de forma muito lenta também inclui riscos", destacou o relatório, uma versão mais ampla das previsões regionais apresentadas em 21º de outubro na assembleia anual em Istambul.

Alguns países como o Brasil, que deve registrar uma desaceleração econômica de 0,7% este ano, com crescimento de 3,5% em 2010, começaram a sentir uma revalorização de sua moeda que pode dificultar a recuperação.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou um imposto de 2% sobre o capital estrangeiro orientado para a renda fixa e a bolsa, para conter a especulação.

"Estas medidas, que costumam funcionar somente por tempo limitado, podem levar à tentação de se adiar outras reformas estruturais", advertiu Nicolas Eyzaguirre, diretor para as Américas do Fundo, em entrevista à imprensa.

A América Latina, que mostra grande heterogeneidade ante a crise, deve em todo caso se acostumar a taxas de crescimento menores. Segundo o Fundo, a região registrará em seu conjunto crescimento de 2,5% este ano e 2,9% no próximo ano.

"É pouco provável que volte a registrar taxas de crescimento econômico e preços de exportação de matérias primas como os de antes da crise", explica o relatório do FMI.

O crescimento vai acelerar nos países que tinham boas políticas macroeconômicas e que são exportadores de matérias primas. "Este é o caso do Brasil, e também do Peru, que se relacionam muito bem com a Ásia, a região que mais cresce neste momento", acrescentou.

"Mas não é o caso da América Central, nem do Caribe, nem do México", mais ligados a Estados Unidos, explicou.

(Redação com agências internacionais - Agência IN)