Agnelli diz que 'nem sonha' em deixar direção da Vale

Marcelo Teixeira, REUTERS

SÃO PAULO - O presidente executivo da Vale, Roger Agnelli, afirmou nesta segunda-feira que 'nem sonha' em deixar o cargo, apesar das críticas recentes do governo a sua gestão na mineradora, e que possui uma relação muito positiva com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Agnelli se encontrou com Lula em São Paulo para apresentar ao governo o plano de investimentos da empresa para 2010, que prevê gastos de US$ 12,9 bilhões de dólares, contra US$ 9 bilhões nesse ano.

- A relação minha com o presidente Lula sempre foi extraordinariamente positiva. A Vale como empresa sempre contou com o apoio do presidente Lula - disse o executivo, respondendo a questionamentos de jornalistas sobre como andava o relacionamento com o presidente.

Requisitado a opinar sobre o que achava da postura de Lula em relação à empresa, Agnelli afirmou que o presidente 'estava no seu papel'.

- Acho que tem que pressionar mesmo. Acho que para os próximos quatro, cinco anos o Brasil vai ter um crescimento bastante forte e vários setores vão ter que investir pra não criar gargalos pra frente. Eu estou muito confortável com a posição da Vale a as conversas com o presidente - afirmou.

- Agora, muitas coisas que acabam saindo na mídia extrapolam de forma significativa a percepção que se tem - acrescentou.

Para o executivo, problemas com licenciamentos ambientais atrasaram de forma significativa os projetos da empresa no Brasil. A mineradora, no entanto, justificou nos últimos meses demissões e cortes em investimentos pela situação de demanda reprimida no mercado global, como resultado da crise.

Questionado se o desgaste com o governo poderia levá-lo a deixar o cargo, Agnelli foi explícito: - Eu sinceramente nunca tive nenhuma ciência de que alguém quisesse me tirar e eu não tenho nem sonhado em sair.

O dirigente abordou ainda reportagens que o colocam como o homem do Bradesco na Vale, procurando desvincular seu nome do banco, onde trabalhou vários anos antes de assumir a direção da mineradora.

- Sistematicamente tem saído na mídia que o Bradesco indicou o presidente. Não existe isso. Existe um acordo de acionistas. A Previ e outros acionistas, inclusive o BNDES, propuseram que eu assumisse. O último a saber dessa história foi o Bradesco - afirmou.

- Eu não sou indicado do Bradesco, eu não represento o Bradesco. E o Bradesco não tem a gestão da companhia, que é feita sob uma forma de governança corporativa muito detalhada, muito clara, muito nítida. E um controle compartilhado.