Sistema quer reduzir à metade boletos impressos a cada ano

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Com o objetivo de facilitar a cobrança e o pagamento de contas, a Federação Nacional dos Bancos (Febraban) lançou segunda-feira o Débito Direto Autorizado (DDA), um serviço facultativo onde o cliente seja pessoa física ou jurídica poderá receber o boleto de diversas contas por meios eletrônicos. Desde junho algumas agências já começaram o cadastro já são 1.044 milhão de clientes inscritos no novo sistema. Para utilizar o DDA, é necessário o cadastramento pela internet, pelo telefone ou na agência do banco.

O DDA é uma forma prática e segura das pessoas e empresas controlarem suas finanças diz o diretor setorial de Serviços Bancários da FEBRABAN, Iézio Ribeiro Sousa.

Contas de plano de saúde, de condomínios, de mensalidades escolares, entre outras, poderão ser quitadas no caixa eletrônico ou pelo telefone e internet, conforme os meios tecnológicos adotados pelo banco do cliente. Para os cartões de crédito, inicialmente os interessados terão acesso apenas à cobrança, sem detalhamento da fatura. Este serviço tem um prazo de até seis meses para ser implantado. Por enquanto, segundo o anúncio de segunda-feira do novo sistema, o DDA não será utilizado para pagamento de tributos e serviços de concessionárias (água, luz, gás e telefone) porque o sistema de recolhimento e pagamento de dos tributos e serviços públicos é diferente. Para incluí-los é preciso criar outro sistema , diz um trecho do comunicado da Febraban.

Diferentemente do débito automático, o boleto digital não terá código de barras, por isso não poderá ser impresso. Por outro lado, o usuário poderá optar pela impressão de comprovante do pagamento efetuado, assim como deixar salvo dentro do sistema o comprovante eletrônico.

A questão ambiental é uma das preocupações do sistema DDA. Atualmente os bancos emitem cerca de 2 bilhões de papéis de cobrança por ano. A Febraban espera que em cinco anos metade desse número de documentos impressos migrem para o DDA. Outros benefícios além daqueles primordialmente propostos de facilidade e conforto ao usuário seria a economia de 1 bilhão de litros de água, de 46 milhões de KW/hora e a redução de milhões de quilogramas de dióxido de carbono. Nas próximas semanas, a Federação vai colocar no ar uma campanha de R$ 2,5 milhões sobre o funcionamento do novo sistema no rádio, na televisão, na internet e nas revistas de bordo de empresas de aviação.

Ainda não uma definição de quanto os bancos vão cobrar pelo novo serviço, o que será estabelecido por cada instituição. Mas o custo terá que ser aprovado e obedecer as normas do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional.

Inédito

A tecnologia desenvolvida no sistema DDA é inédita no mundo, segundo a Febraban, que desde 1995 desenvolve a ideia de criação de nova modalidade de pagamento. Em outubro de 2008, a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) contratou a empresa TIVIT, vencedora da concorrência para desenvolver o projeto que tem um custo inicial de R$ 20 milhões, com mais R$ 77 milhões pelos próximos nove anos. Não há cálculo consolidado ainda do investimento de instituições financeiras para se adaptarem ao DDA. Como base de comparação, no ano passado, foram R$ 16,2 bilhões gastos em tecnologia pelo bancos.

Em alguns países existem sistemas parecidos, mas em nenhum deles há um sistema que integra todos os bancos do país inteiro. Por isso o DDA tem chamado muito a atenção no exterior afirma Joaquim Kiyoshi Kavakama, superintendente da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP). Segundo o executivo, o novo sistema já foi apresentado em eventos bancários nos Estados Unidos, Itália e na América Latina.