Produção aquífera em expansão

Raphael Zarko e Marta Nogueira, Jornal do Brasil

RIO - Apesar da ainda baixa participação (6%) entre os pedidos de outorga (concessão para uso da água) à Agência Nacional das Águas (ANA), a atividade de aquicultura teve crescimento efetivo nos últimos anos. Segundo levantamento da ANA, em 2001 apenas um empreendimento havia pedido o direito de utilizar a água de rios brasileiros. Em 2008, já eram 85, fechando um total de 387 nesse período.

Nos últimos quatro anos, por causa da secretaria da Pesca (hoje Ministério da Pesca e Aquicultura), o setor teve um crescimento vertiginoso diz Luciano Meneses, gerente de Outorga da ANA.

Desde a criação em 2003 da secretaria para estímulo das atividades marítimas (como pesca e aquicultura), a produção por toneladas já bateu recorde três vezes. Se em 2002, eram 250 mil toneladas produzidas, no ano seguinte saltou para 270 mil. Três anos depois, novo recorde, com 271 mil toneladas, e finalmente no último controle disponível do Ministério de Pesca e Aquicultura, foram 290 mil toneladas, em 2007.

Para o diretor de Aquicultura do ministério, o engenheiro de Pesca, Felipe Matias, que trabalha há 20 anos no setor, o conjunto de indicadores no primeiro semestre de 2009 a venda de ração para peixe cresceu 18% em comparação com o ano anterior mostra que o país tem um potencial maior ainda.

A produção continental atividades em água doce cresce 10% ao ano. Temos meta para atingir em 2011, 570 mil toneladas. Como vamos praticamente dobrar essa produção? Conseguimos uma regularização buscada há 15 anos pelo setor, para atividades em algumas áreas da União. São seis áreas agora regularizadas onde podemos produzir 280 mil toneladas por ano. É só somar aos 290 mil já estabelecidos explica Matias, revelando outro objetivo ambicioso: o do Brasil estar entre os cinco maiores produtores de pescado no mundo.

Segundo Matias, o mercado de Aquicultura brasileiro já movimentava cerca de R$ 1 bilhão no ano de 2007:

Temos o exemplo do Chile, que quando resolveu esse problema de concessão, saltou a produção de 30 mil para 860 mil toneladas num intervalo de dez anos. Aqui podemos chegar a 20 milhões de toneladas nos próximos 30 anos.

Exploração

Mauro Nakata, dono da empresa produtora de peixes Piscicultura Cristalina, que explora o reservatório de Chavantes, na divisa de São Paulo com Paraná, acredita que a atuação da Agência Nacional de Águas (ANA) é importante para a manutenção das águas do rio São Francisco e anda em conjunto com a sua atuação na região.

- Há dois anos comecei a produzir peixes e, no momento, estou apenas com a concessão preventiva para a exploração do rio. Mas já entrei com o pedido para obter o Direito de Uso do Recurso Hídrico conta Nakata. Passamos por várias fiscalizações da marinha, da ANA e da Secretaria do Estado do Meio Ambiente de São Paulo, que avaliam a utilização das águas, a quantidade de fósforo utilizado, para fortificar os peixes, área ocupada, entre outros pontos completou.

Outra companhia do setor, a Braspeixe, aguarda a última etapa de licenciamento para começar sua produção de tilápias. O empresário e dono da empresa, Mahmoud Whebi, estima alcançar um total de 12 mil toneladas de peixe. Ele já produzia tanques redes (também chamados de gaiolas) há oito anos e decidiu entrar neste comércio devido ao grande potencial de vendas.

Estamos aguardando agora a publicação do edital de licitação para cessão de uso do espaço físico da União, no lago de Itaparica, no rio São Francisco, em Itacuruba (PE). Podemos ter uma produção de 1.200 toneladas a cada ano diz Whebi, que espera o empréstimo de R$ 3,5 milhões do Banco do Nordeste para financiar os novos investimentos. A Braspeixe também investe na aquicultura no lago de Moxotó, no município de Glória, na Bahia. Estimamos que dentro de um ano e meio 100 famílias serão beneficiadas com o fruto do nosso trabalho.