Vendas de carros mantêm recorde

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Mesmo com o fim da isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a indústria automotiva mantém o ritmo de vendas. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou sexta-feira que o setor registrou vendas superiores a 14 mil veículos por dia na primeira quinzena de outrubro. A média ficou próxima a de setembro, quando 14.701 carros foram emplacados, configurando recorde em toda história do mercado consumidor brasileiro.

O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, destacou que o desempenho do mercado na quinzena de outubro, que é comparada aos resultados obtidos antes da crise econômica mundial, ocorreu também devido a vendas de veículos feitas no mês anterior e que foram licenciadas apenas neste mês. Outra razão seria o escoamento de unidades em estoque que se beneficiaram do baixo IPI.

Na quinta, o IBGE já havia colocado o setor de veículos no país como destaque do varejo, com 2,5% a mais de vendas em agosto com relação a julho. Sexta-feira, durante um seminário na Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo, Schneider não disse quanto espera que o mercado cresça em 2010, mas garantiu que deve ser acima da casa de um dígito . Caso se confirme a previsão da associação, será o quarto ano seguido de recorde nos licenciamentos de veículos. A projeção da Anfavea é de alta de 6,4% nos emplacamentos neste ano ante 2008, chegando a 3 milhões de unidades.

Em dezembro, as vendas de veículos caíram abaixo de 7.000 unidades por dia útil devido ao agravamento da crise no Brasil, que motivou a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) pelo governo federal. O tributo retoma gradativamente a alíquota a partir deste mês e deve voltar ao patamar original em janeiro de 2010.

Exportações

Com relação às vendas externas, por outro lado, o consumo ainda está longe de mostrar uma não se verifica a mesma retomada . Entre janeiro e setembro deste ano, houve redução de 42,8% em volume e de 50% em valor, o correspondente a 260 mil veículos que deixaram de ser comercializados. A explicação, conforme disse o presidente da Anfavea, está na valorização do real e na queda da demanda de nossos maiores importadores.

Para o executivo, a indústria brasileira pode não conseguir recuperar o mesmo nível de vendas de antes da crise econômica mundial, embora espere melhoras no mercado para o final do primeiro semestre de 2010. Até por isso, a Anfavea espera uma diminuição na produção de 5,2% na comparação com 2008. O resultado se explica, segundo a associação, pela queda de 40% nas exportações até o fim do ano, comparado ao mesmo período de 2008. Seriam 295 mil licenciamentos a menos de um ano para o outro. Em valores, a previsão é de baixa de 43%.

Sobre a perda de competitividade com a queda do dólar, o executivo afirmou que toda hora a indústria está repensando o processo produtivo . lembrando do impacto nos custos do aumento aos trabalhadores e da alta no preço do aço, já aguardada pelo setor.