Indicadores reforçam retomada de crescimento

SÃO PAULO, 15 de outubro de 2009 - Os indicadores econômicos que estão sendo divulgados nos últimos dias reforçam cada vez mais a retomada de crescimento e hoje foi à vez das vendas no varejo de agosto deste ano que apresentou alta de 0,7%, em linha com as expectativas do mercado.

A equipe econômica da Gradual Investimentos comenta que o resultado das vendas no varejo foi positivo, mas não o suficiente para alterar a expectativa para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) agendada para o dia 20 e 21 deste mês. Para equipe, o colegiado do BC deve optar pela manutenção no atual patamar da Selic, fixada em 8,75% ao ano. No entanto, a Gradual Investimentos espera ver na ata dessa reunião alguma sinalização mais clara para a última reunião do ano, nos dias 8 e 9 de dezembro.

No mercado de renda fixa segue as dúvidas em relação ao rumo da taxa Selic em 2010. Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, a autoridade monetária deve iniciar novo ciclo de aperto monetário no segundo semestre de 2010 mirando a inflação de 2011. O economista disse que é provável começarmos a observar algum desconforto com relação à inflação de 2011, dado a resistência de preços de serviços e hiato ficando positivo no decorrer de 2010.

Diante desse quadro, Rosa projeta Selic em 10,0% ao final de 2010 e o ciclo de aperto monetário se encerraria no primeiro trimestre de 2011 com a taxa em 11,0%.

"Vale observar que desta vez o aumento de juros não deve ser tão forte como em ciclos anteriores, pois não será necessário desinflar a economia, o Banco Central só estaria trazendo a taxa de juros para um patamar em torno da taxa natural - taxa de juros que segundo Wicksel (1936) é a taxa de juros real, em que, hiato é igual a zero e inflação é igual a meta", explica Rosa.

Hoje o dia foi de poucos negócios nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) negociados na BM&FBovespa. O DI com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido, teve 154,7 mil contratos fechados e giro de R$ 13,7 bilhões. A taxa deste contrato ficou em 10,45%, ante 10,41% do ajuste anterior, analistas ressaltam que como os dados do varejo vieram em linha com o esperado, não há alteração nas expectativas do mercado por isso a curva de juros segue refletindo as apostas para o rumo dos juros no ano quem vem.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)