REDD pode render até US$ 16 bi ao Brasil

SÃO PAULO, 14 de outubro de 2009 - A inclusão dos mecanismos de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) nas propostas do Brasil para a COP-15, em dezembro, em Copenhagen, durante negociação de um novo acordo substituto do Protocolo de Kyoto -, é uma das sugestões que a Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (Abemc) vai levar ao governo brasileiro, reiterando posição já defendida por diversos segmentos do meio empresarial e por outras entidades.

Dados do Ministério do Meio Ambiente afirmam ainda que os mecanismos de REDD permitirão resgatar até 5 Giga toneladas de CO2e, do total de 17 Giga toneladas a serem reduzidos. A receita que poderá ser gerada com isso é estimada entre US$ 20 bilhões e US$ 40 bilhões ao ano no mundo, dos quais de US$ 8 a US$ 16 bilhões podem vir para o Brasil, representando um importante incentivo para a redução do desmatamento e impulso para o mercado de créditos de carbono no País.

Segundo dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em ingês), para manter um nível seguro de adaptação às mudanças climáticas, são necessários cortes mínimos na ordem de 25% das emissões globais de gases de efeito estufa até 2020. Contudo, mantido o cenário atual, as projeções apontam para emissões na ordem de 61 Giga Toneladas de CO2e, o que sugere uma redução mínima necessária de 17 Giga toneladas de CO2e para manter o nível recomendado pelo IPCC.

Para se ter idéia de proporções do impacto do desmatamento no Brasil, apenas no Mato Grosso ele atingiu 107 mil Km² nos últimos 10 anos, gerando cerca de 1 Giga tonelada de CO2e, segundo dados da Secretaria Estadual de Meio Ambiente Instituto Imazon.

Recentemente, em pesquisa encomendada pela WWF, constatou-se que grandes investidores em âmbito global, que juntos administram mais de US$ 7 trilhões em ativos, apóiam a inclusão de mecanismo de mercado similar ao Mecanismo de Desenvolvimento Limpo para REDD. A pesquisa foi conduzida através de entrevistas com 25 investidores seniores especializados em sustentabilidade e meio ambiente de empresas como o Barclays Capital, Citigroup, Swiss Re e UBS.

O presidente da Abemc destaca que o REDD deve ser um meio de conservação da floresta associado à exploração sustentável em áreas específicas, e não prever apenas a manutenção das florestas em pé (conservação florestal ou criação de reservas).

(Redação - Agência IN)