FMI: recessão está acabando

Jornal do Brasil

RIO - O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou suas projeções de crescimento para a América Latina, e disse que a recuperação será liderada pelo Brasil e estimulada por incentivos governamentais adotados na hora certa. Na avaliação do fundo, a economia mundial finalmente está saindo da recessão profunda, puxada por uma retomada vigorosa na Ásia.

O risco, no contesto, segundo o FMI é que os governos retirem os estímulos muito cedo, interrompendo a retomada.

A melhora nas condições nos mercados financeiro global e de commodities também está apoiando o desempenho da América Latina, afirmou o FMI no relatório de Perspectivas Econômicas Mundiais. O documento ressalta ainda que os riscos de revisão para baixo de suas perspectivas estão retrocedendo.

Há indicações de que a recuperação teve início no segundo trimestre de 2009 e deve assumir ritmo moderado na segunda metade do ano, liderada pelo Brasil , apontou o FMI no documento.

A instituição afirmou também que muitos países da América Latina estão aptos a mitigar o impacto da crise com políticas monetárias anticíclicas. As estimativas do FMI para a economia da América Latina são de contração de 2,5% neste ano e expansão de 2,9% em 2010.

O fundo melhorou sua estimativa para o Brasil, para retração de 0,7% neste ano e não mais recuo de 1,3% e crescimento de 3,5% em 2010 um ponto percentual acima do cenário anterior.

O Brasil vai liderar a recuperação, em parte por causa de seu grande mercado doméstico e da diversidade dos produtos exportados e mercados, especialmente a Ásia , afirma o relatório.

As previsões para o México, economia mais abatida da região, apontam retração de 7,3% neste ano e crescimento de 3,3% em 2010.

A recuperação mexicana será mais lenta porque sua economia é mais aberta ao comércio global e mais dependente dos Estados Unidos, avalia o fundo.

Apesar da retomada, as previsões do FMI apontam que a inflação da região continuará contida, devido à ainda ampla capacidade ociosa, permitindo que as políticas monetárias afrouxadas sejam mantidas.

O FMI estima que a inflação caia de 8% em 2008 para 6,1% em 2009 e para 5,2% em 2010.

Os bancos centrais devem manter os juros baixos até que a recuperação esteja ocorrendo de forma sólida e até que as pressões inflacionárias se tornem relevantes , recomenda o organismo.

Quanto à situação mundial, o relatório afirmou que a economia mundial parece estar crescendo outra vez, puxada pelo forte desempenho das economias asiáticas e pela estabilização ou modesta recuperação em outras regiões.

O Fundo agora espera que a economia mundial se contraia 1,1% em 2009 e cresça 3,1% em 2010. A previsão anterior, em julho, estimava contração de 1,4 % em 2009 e expansão de 2,5% em 2010.

As economias avançadas, que sofrem contração neste ano, devem começar uma recuperação frágil em 2010, diz o relatório. Tanto os EUA quanto a zona do euro terão crescimento no próximo ano, ainda que a uma taxa pequena. Em contraste, as economias emergentes e em desenvolvimento estão à frente na recuperação, com crescimento de 1,5 % neste ano e de 5% no próximo ano, lideradas por China e Índia.