Palestrantes defendem expansão da malha ferroviária

SÃO PAULO, 30 de setembro de 2009 - Participantes de seminário sobre o sistema ferroviário brasileiro apontaram na manhã de hoje a necessidade de ampliar com urgência a malha férrea do País, que hoje possui 28.831 quilômetros de extensão. O transporte ferroviário, disseram representantes do governo e do setor, é vantajoso para ligar locais de produção do interior do País aos portos, com grande capacidade para cargas e eficiência energética.

Atualmente, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), apenas 10.930 quilômetros da malha férrea existente são efetivamente explorados. Os trilhos estão concentrados principalmente na região Sudeste, havendo um vazio no Nordeste e no Centro-Oeste. E o principal produto transportado é o minério de ferro, representando 3/4 do volume total transportado.

Pesquisa feita pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2006 demonstrou que os trechos mais utilizados da malha ferroviária brasileira estão praticamente saturados. Além disso, falta resolver entraves operacionais para modificar a matriz de transportes brasileira, passando da prevalência rodoviária para a ferroviária e a hidroviária. "O Brasil só vai fazer a migração modal quando houver alternativas ao transporte rodoviário, que é bastante competitivo em razão da grande oferta", explicou o diretor.

Para o diretor-executivo da CNT, Bruno Batista, é fundamental planejar essa ampliação e garantir a competitividade do sistema ferroviário. "Não importa se o plano é executado pelo setor privado ou se pelo governo", afirmou Batista, no seminário promovido pela Comissão de Viação e Transportes.

No seminário, o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Luiz Antonio Pagot, fez um apelo aos deputados para que incluam no plano plurianual (PPA) a previsão de recursos para alavancar o setor.

Apesar dos desafios existentes, os participantes do evento reconheceram, por outro lado, que o Brasil vive um bom momento. O secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, lembrou que o governo Lula redesenhou o transporte ferroviário brasileiro de cargas e tem dado bastante atenção ao setor, inclusive ao transporte de passageiros.

Por sua vez, odiretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, explicou que a agência estuda ainda um novo marco regulatório para o setor. Os objetivos são criar um ambiente competitivo para as ferrovias e promover a exploração efetiva e adequada da malha. Hoje, a não-utilização de 18. mil quilômetros de malha férrea se deve à antiguidade das vias, muitas do século XIX e, portanto, inadequadas para a economia do século XXI. As informações são da Agência Câmara.

(Redação - Agência IN)