Ações globais fazem pausa após forte alta, mostra pesquisa

REUTERS

NOVA YORK - Os principais mercados de ações mundiais devem fazer uma pausa até o final deste ano, depois de um forte rali visto desde março na tentativa de recuperar perdas maciças por conta da recessão global, mostraram pesquisas da Reuters.

Pesquisas trimestrais com mais de 180 estrategistas de ações em nível mundial indicaram que as principais bolsas em Nova York, Tóquio e Londres encerrarão o ano ao redor dos níveis atuais, depois de acumularem ganhos de dois dígitos desde março.

Isso ainda deixará os índices acionários no vermelho, mas se configurará uma reviravolta notável, reforçada pelo otimismo crescente de que uma recuperação está em curso.

Espera-se que os mercados acionários de 13 países pesquisados terminem o ano em níveis superiores aos previstos em junho.

"Os fundamentos têm melhorado. Porém, os números são em grande parte resultado da intervenção de governos e bancos centrais (para ajudar a economia). Quando acabar, a fragilidade da economia mundial será novamente demonstrada", disse Philippe Gijsels, do BNP Paribas Fortis.

Essa avaliação é consoante com pesquisas da Reuters com estrategistas de investimento de algumas das maiores companhias de gestão de fundos em todo o mundo, que revelaram ter reduzido a presença em ações em setembro para o menor nível desde fevereiro.

Mas, depois de um "respiro" e de um possível recuo durante a temporada de divulgação de balanços corporativos, espera-se que os principais mercados acionários voltem a ter uma leve valorização na virada para 2010.

"A perspectiva para os mercados acionários permanecerá favorável nos próximos meses - mais valorizações nos preços são aguardadas, motivadas por um crescimento maior e por uma recuperação nos lucros", afirmou o estrategista-chefe de mercados do UniCredit, Gerhard Schwarz.

Prevê-se que a valorização das bolsas de países emergentes continue neste ano, com Brasil e Índia em direção a ganhos recordes de até 70% e 80%. Também acredita-se que a Rússia terminará o ano em níveis acima dos atuais, marcando ganhos de mais de 100% em 2009.

Até o final de junho do próximo ano, os índices Standard and Poor's 500 (EUA), Nikkei (Japão) e os principais indicadores europeus de Alemanha e França devem estar em alta entre 5% e 15% ante os atuais patamares.

As previsões apontam que o mercado de ações brasileiro deve subir cerca de 20% até junho do ano que vem.