Muito além da construção de casas

Gabriel Costa, Jornal do Brasil

RIO - A expansão da habitação no Brasil cria necessidades além da construção de novas residências. De acordo com dados divulgados recentemente na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o número de moradias no Brasil aumentou de maneira significativa em relação ao avanço do número de famílias, com redução do número de habitantes por domicílio. A mudança no perfil habitacional, somada à necessidade de redução do déficit estimado em 8 milhões de moradias, demanda também toda a infraestrutura correspondente de saneamento básico, coleta de lixo, transporte e fornecimento de água e energia.

Esse processo causa um impacto imenso junto à estrutura urbana, e o grande desafio para a construção da infraestrutura é reduzir os custos avalia Fernando Arbache, especialista em infraestrutura, logística e inteligência de mercado.

No ano passado, de acordo com os dados da Pnad, 1,886 milhão de domicílios passaram a contar com rede de coleta de esgoto, para um total de 48,296 milhões de moradias com acesso ao serviço em todo o país, enquanto 83,9% das residências tinham abastecimento de água. Cerca de 50,590 milhões de lares tiveram acesso ao serviço de coleta de lixo, 1,882 milhão a mais que no ano anterior. A iluminação elétrica atingiu 98,6% dos lares em 2008. Especialistas ressaltam, no entanto, que os dados não necessariamente são tão animadores como podem parecer, uma vez que a pesquisa não mede a qualidade desses serviços.

Paralelamente, um estudo divulgado esta semana pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) destacou que o Brasil tem demorado para executar recursos vinculados aos investimentos em infraestrutura, principalmente relativos ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O diretor do Instituto de Pesquisa Data Popular, Renato Meireles, ressalta a importância que empreendedores conheçam bem os dados de consumo da população, em especial os das classes C, D e E, que são atualmente 85% da população e movimentam R$ 760 bilhões ao ano.

As classes mais baixas, ao contrário das classes A e B, são compostas majoritariamente por jovens, que representam 42% das novas famílias formadas de 2002 pra cá. Isso significa mais pessoas necessitando de locais para morar destaca Meirelles.

Já para resolver o problema da redução de custos necessária tanto para a construção de moradias como para implementar a infraestrutura necessária, Arbache, professor de Logística e Sistemas de Informação da Fundação Getulio Vargas (FGV), sugere que o governo conte com o apoio do setor privado.

Pode soar contraditório, mas se o governo incentivar a construção de casas para as classes mais altas, o crescimento da escala produtiva reduz os custos operacionais como um todo afirma. Em relação à questão da infraestrutura, um regime de Parcerias Público-Privadas (PPPs) reduziria a burocratização do processo, e mais agilidade corresponde a menores custos.