BNDES conta com nova injeção de verbas federais em 2010

Jornal do Brasil

BRASÍLIA - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) espera que o Tesouro Nacional destine mais recursos para a instituição em 2010, depois da injeção de R$ 100 bilhões, afirmou o superintendente da área de acompanhamento econômico do BNDES, Ernani Torres.

Em janeiro, o governo federal anunciou injeção de R$ 100 bilhões no BNDES, em títulos públicos, para garantir ao banco de fomento condições de suprir a demanda por financiamentos em meio à crise global.

Questionado sobre o valor de um possível novo aporte, o superintendente do BNDES afirmou que o montante pode ser similar ao deste ano.

Pode ser um pouco menos, mas não muito menos. Num horizonte de um ano e meio a 2 anos, pode ser até maior estimou.

Segundo Torres, o aporte de capital no banco seria um elemento de estabilização em ano de eleições presidenciais, evitando que ocorra uma contaminação desnecessária da política no investimento.

A demanda por financiamentos do BNDES segue aquecida, revelou Torres, mesmo com a retomada do mercado de capitais, que ficou mais restrito no Brasil e no exterior entre o final do ano passado, depois do colapso do banco norte-americano Lehman Brothers, e os primeiros meses de 2009.

Ele disse ainda que o acesso ao mercado de capitais neste momento está mais ligado a busca de recursos por empresas para reforço de liquidez e reestruturação de passivos, e não processos de investimentos.

O BNDES estima que de 55 a 60% do investimento feito no Brasil deriva de lucro retido das empresas, enquanto o banco de fomento responde por fatia de 20 a 25%. A menor parcela, portanto, é obtida via mercado de capitais, com ações, debêntures ou bônus no exterior, entre outros instrumentos.

Operações atípicas

Nos sete primeiros meses do ano, os desembolsos do BNDES atingiram recorde de R$ 75,1 bilhões, alta de 65% ante igual intervalo de 2008.

O banco participou também do socorro de empresas nacionais que tiveram problemas financeiros durante a crise, caso de Aracruz e Sadia, que tiveram perdas bilionárias com apostas em derivativos de câmbio.

Estivemos ligados a esses problemas de liquidez nas operações atípicas que o banco fez... Essas operações já começaram a perder fôlego naturalmente, à medida que o mercado (de capitais) está voltando afirmou Torres.