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Aumenta cautela entre economistas brasileiros

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SÃO PAULO, 9 de setembro de 2009 - O Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia (ISE) voltou ao patamar de pessimismo em agosto. O indicador elaborado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) em parceria com a Ordem dos Economistas do Brasil (OEB) teve queda de 6,8% em agosto contra o mês anterior, passando de 105,4 pontos em julho para 98,2 pontos no mês passado. O índice havia apresentado quatro altas consecutivas, alcançando em julho o patamar de otimismo pela primeira vez desde agosto de 2008.

"Este novo resultado mostra que os economistas estão cautelosos em relação à economia", afirma Guilherme Dietze, economista da Fecomercio. O indicador é composto por dois sub-índices: o Atual, que analisa o sentimento dos economistas em relação ao presente, e o Futuro, que mede o sentimento em relação ao futuro. Acima de 100 pontos o ISE é considerado otimista.

Em agosto, o que pressionou o índice geral para baixo foi a avaliação futura, que caiu 13,6% em relação a julho, mas ainda permanece no patamar de otimismo com 109,2 pontos. Já a avaliação atual subiu 3,4%, quarta alta consecutiva, atingindo os 87,2 pontos, mas permanece no patamar de pessimismo.

Dos nove itens analisados pelo ISE, três contribuíram para a queda do indicador: Gastos Públicos com redução de 70% (10,1 pontos), Taxa de Inflação, com queda de 20,5%, (83,8 pontos) e Taxa de Juro, com redução de 28,5% (56,4 pontos).

Segundo Dietze, o resultado pessimista em relação a esses três itens deve-se à avaliação dos economistas de que daqui a um ano vai haver uma pressão de preços em conseqüência de três principais fatores: das políticas adotadas atualmente pelo governo de estímulo ao consumo, da melhora da economia como um todo principalmente no que refere a emprego e renda. Além disso, como 2010 é um ano eleitoral, é de se prever que haja um aumento ainda maior do que há atualmente dos gastos públicos.

"Com esses fatores, os economistas já creem que no próximo ano, o Banco Central deverá elevar a taxa de juros para conter as pressões de preços, o que tornará a taxa inadequada à economia", destaca Dietze.

Outros itens que tiveram ligeira queda na margem foram: Salários Reais com redução de 2,8% (87,4 pontos) e Oferta de Crédito ao Consumidor, com queda de 5,4% (109 pontos).

Para o próximo mês, Dietze acredita que os economistas continuem cautelosos em relação aos principais itens que derrubaram o índice de agosto e que novamente podem pressionar negativamente o ISE no próximo mês.

(Redação - Agência IN)