Financiamentos e cartões determinam concentração

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - O faturamento do varejo no Brasil apresentou em 2008 a maior concentração desde 2003, segundo pesquisa realizada pela Serasa Experian, com base no faturamento líquido anual das empresas varejistas.

O levantamento aponta que o segmento de maior concentração em 2008 foi o de móveis e eletroeletrônicos; seguido pelo de tecidos, vestuário e calçados; supermercados e hipermercados; material de construção; e veículos.

De acordo com o estudo, o índice de Theil-L padronizado, que vai numa escala de 0 a 1, na qual 0 significa igualdade total, isto é, todas as lojas tem a mesma participação no mercado, e 1 significa concentração total, quando apenas um estabelecimento detém todo o mercado, atingiu o valor 0,931 em 2008, recorde do governo do presidente Lula.

Segundo a Serasa, o aumento da concentração do setor de tecidos, vestuário, calçados e ccessórios (3º no ranking até 2007) pode ser explicado pela expansão do crédito (oferta de cartões de crédito, inclusive de própria marca e o aumento dos prazos de pagamento), mais facilmente concedido pelas grandes empresas deste segmento, cujo aumento do faturamento anual foi superior à evolução média das demais empresas deste segmento.

Ou seja, a dificuldade dos pequenos e médios varejistas em oferecer crédito aos consumidores em condições similares aos dos grandes varejistas os fez perder mercado nestes últimos anos.

Já o segmento de supermercados e hipermercados registrou crescimento considerável de pequenas e médias lojas de bairro no período, derivado do aumento da renda e do nível de emprego, o que reduziu um pouco a concentração no segmento, porém, esse processo foi revertido nos últimos dois anos, com a retomada das aquisições e fusões, especialmente entre empresas varejistas e atacadistas, formando o chamado atacarejo, afirma o estudo.

As lojas de material de construção e de veículos registraram índices de concentração mais reduzidos que os dos segmentos anteriores. No setor de material de construção, houve trajetória de aumento de concentração, podendo ser explicada também pela expansão do crédito favorecendo os grandes estabelecimentos, além de movimentos de importantes fusões e aquisições neste segmento.

De acordo com a pesquisa, para o comércio de veículos, além de registrar os menores índices de concentração entre todos os segmentos pesquisados, o movimento foi inverso. Ou seja, houve redução da concentração no segmento, beneficiada pelo aumento da participação de outras concessionárias de fora do grupo das quatro maiores montadoras, tanto em volume de vendas, quanto na ampliação na rede de lojas.