Crise afeta aeroportos da América Latina, aponta Fitch

SÃO PAULO, 10 de agosto de 2009 - A Fitch Ratings declarou que a crise financeira global tem impactado negativamente o tráfego de passageiros na maioria dos aeroportos das regiões latino-americanas e do Caribe, o que deverá reduzir o fluxo de pessoas ainda mais em 2009. No Relatório Especial "Aeroportos Latino-americanos e do Caribe: Atravessando a Turbulência Global", publicado hoje, a Fitch explica que os aeroportos da América Latina e do Caribe são suscetíveis aos efeitos da recessão global, uma vez que o setor depende essencialmente das viagens de turismo e de negócios.

Os aeroportos que dependem sobretudo das atividades de passageiros dos Estados Unidos e da Europa são os que experimentaram maior impacto. A curto prazo, as recentes reduções de tráfego têm aliviado as pressões imediatas sobre as necessidades de infraestrutura dos aeroportos, que já estavam sob tensão quando o tráfego disparou, nos últimos anos.

"A crise econômica internacional teve efeito negativo sobre a saúde financeira dos aeroportos latino-americanos e caribenhos, com o México sofrendo não só com a recessão, mas com o surto da gripe A (H1N1), a gripe suína, no início deste ano, que reduziu consideravelmente o tráfego de negócios e de turismo", ressalta Sam Kamath, diretor da Fitch. "Brasil, Chile e Colômbia também experimentaram tendências negativas com relação aos passageiros, embora em patamares menores. Os aeroportos peruanos, por outro lado, reportaram um aumento expressivo de suas atividades este ano, devido à sólida expansão econômica".

Por quase duas décadas, o setor aeroportuário da América Latina e do Caribe alcançou importante desenvolvimento de infraestrutura, por meio de parcerias público-privadas. Estes investimentos fortaleceram o comércio exterior de cada país, ao mesmo tempo em que apoiaram seu desenvolvimento econômico. Entretan to, a crise global retardou o progresso desses projetos.

"Assim que as economias global e regional se recuperarem, os investimentos para a modernização dos terminais, bem como novas pistas de pouso, serão necessários para contribuir para o desenvolvimento econômico de cada país", completa Cristian Fuenzalida, diretor da Fitch.

A Fitch acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) latino-americano deva sofrer redução de 2,5% em 2009. Considerando a importante relação entre o tráfego aeroportuário e o PIB na região, a Fitch assume que, ao longo de 2009, o tráfego de passageiros na América Latina sofrerá um declínio médio de 5%, com projeções mais favoráveis em 2010.

(Redação - Agência IN)