Saldo de remessas ao exterior cai 43%

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - O saldo das remessas de lucros e dividendos do Brasil para o exterior caiu, em parte por causa crise financeira internacional. De acordo com dados do Banco Central, houve queda de 43% no semestre, de US$ 19 bilhões para US$ 10,9 bilhões. Os números são a diferença entre as remessas de multinacionais que atuam no Brasil e de filiais de empresas brasileiras no exterior.

No caso das multinacionais estrangeiras, as remessas caíram de US$ 19,5 bilhões para US$ 11,4 bilhões. Em relação às empresas brasileiras com atuação internacional, o dado ficou praticamente estável, de US$ 583 milhões para US$ 555 milhões.

Apenas no mês de junho, as remessas somaram US$ 3 bilhões, abaixo dos US$ 3,4 bilhões registrados no mesmo período de 2008. Dados parciais para o mês de julho mostram remessas de US$ 1,114 bilhão.

Transações

As remessas fazem parte do relatório de contas externas do BC, que mede as transações do Brasil com o exterior. A queda registrada no semestre ajudou a melhorar a conta.

De acordo com a autoridade monetária, as transações do país com o exterior tiveram um resultado negativo de US$ 7,08 bilhões no semestre. Houve, no entanto, melhora em relação ao déficit de US$ 16,9 bilhões registrado no mesmo período do ano passado. Em junho, o déficit foi de US$ 535 milhões, abaixo dos US$ 2,8 bilhões registrados em junho do ano passado.

Balança comercial

Entram também na conta o resultado da balança comercial, os gastos do país com serviços e as transferências unilaterais. Houve melhora no superávit da balança comercial, de US$ 11,3 bilhões para US$ 14 bilhões. No mês passado, o superávit comercial resultado positivo de exportações menos importações foi de US$ 4,624 bilhões, contra US$ 2,729 bilhões do mesmo período do ano passado.

O investimento estrangeiro no setor produtivo, o chamado de investimento estrangeiro direto, somou US$ 1,450 bilhão no mês passado e de janeiro a junho US$ 12,648 bilhões. Em junho de 2008, esse investimento foi maior: US$ 2,726 bilhões. No primeiro semestre de 2008, o valor foi de US$ 16,710 bilhões.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a venda pulverizada das ações da Visanet quando vários investidores podem participar de uma operação teve impacto no resultado deste primeiro semestre. Além disso, a crise financeira internacional também contribuiu para a queda da confiança.

O investimento direto deve continuar fluindo bem. A expectativa que se tem é de continuidade de ingresso, com fluxo de portfólio bastante expressivo. No investimento direto, a decisão de investir é tomada com defasagem bastante razoável. O investimento de 2009 reflete decisões tomadas lá atrás. como os fundamento são sólidos, a tendência é atrair mais investimentos disse Lopes.