Califórnia reconhece reduções do etanol de cana

SÃO PAULO, 27 de julho de 2009 - A Califórnia reconheceu a contribuição do etanol brasileiro no combate ao aquecimento global após atualizar seus cálculos sobre a redução de emissões do combustível feito de cana de açúcar.

Em seus cálculos, o Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (CARB, na sigla em inglês) determinou que a intensidade de carbono da gasolina é de 95 gramas de dióxido de carbono por megajoule (gCO2/MJ), o que significa que a gasolina precisa reduzir sua intensidade de carbono para 86 gCO2/MJ até 2020, para atender à nova regulamentação nos próximos anos. Só na Califórnia rodam cerca de 30 milhões de veículos, aproximadamente o mesmo número de veículos em toda a frota brasileira, e o consumo de gasolina soma mais de 60 bilhões de litros por ano.

Nos cálculos originais do CARB, o etanol de cana teria uma intensidade de 27 gCO2/MJ, além de supostas emissões indiretas de 46 gCO2/MJ, elevando o total para 73 gCO2/MJ. Os novos dados anunciados pelo CARB esta semana permitem créditos de mais de 15 gCO2/MJ devido ao uso da bioelectricidade no Brasil (7 gCO2/MJ), bem como a colheita mecânica (8.2 gCO2/MJ) da cana, sem uso de fogo, que vem avançando rapidamente no Brasil.

O representante-chefe da União da Indústria da Cana de Açucar (Unica) para a América do Norte, Joel Velasco, destaca que mesmo que sejam mantidos os cálculos sobre efeitos indiretos de mudanças no uso da terra, supostamente em função da expansão do plantio de cana no Brasil, o etanol de cana de açúcar já é considerado o combustível líquido renovável de melhor desempenho existente atualmente.

Mas ele acrescenta: "É preciso ir mais longe. Vamos continuar educando o órgão regulador norte-americano, para que seja integralmente reconhecido o enorme esforço pela redução das emissões no Brasil, por meio da colheita mecanizada que já ultrapassa 50% da área cultivada em São Paulo, e da crescente expansão da cogeração de eletricidade nas usinas, evitando-se a instalação de termoelétricas, mais poluentes".

Para Velasco, os ajustes na avaliação do CARB significam que o órgão está reconhecendo dados previamente confirmados por entidades de âmbito mundial, como a Agência Internacional de Energia. Isto significa que o CARB reconhece que o etanol de cana realmente reduz as emissões de gases causadores do efeito estufa em cerca de 90% comparado com a gasolina.

(Redação - Agência IN)