Analistas consultados pelo BC acham que juros não caem mais em 2009

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - Os analistas do mercado financeiro mantiveram a previsão de que não haverá mais cortes na taxa básica de juros, a Selic, neste ano, segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central.

A publicação semanal do BC é elaborada com base em projeção de instituições financeiras para os principais indicadores da economia.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu os juros básicos de 9,25% ao ano para 8,75% ao ano. Na próxima quinta-feira, o BC divulga a ata da reunião do colegiado, com justificativas para a decisão, indicação da atuação futura e análise do cenário econômico.

Juros sobem em 2010

Para 2010, os analistas esperam que o Copom aumente a taxa básica, que deve chegar ao fim do ano em 9,25% ao ano. A previsão anterior era 9,38% ao ano.

A Selic serve de referência para outras taxas de juros e é usada pelo BC como uma forma de controle da inflação. Quando os preços estão em alta, o BC aumenta os juros e faz o inverso quando a inflação está em baixa e há necessidade de estimular a atividade econômica. Neste ano, os juros básicos já foram reduzidos em 5 pontos percentuais.

Cabe ao BC perseguir a meta de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional, formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi o escolhido pelo governo para a meta.

Na projeção dos analistas, o IPCA deve chegar ao final do ano em 4,53%, a mesma estimativa da semana anterior. Esse percentual para o IPCA está um pouco acima do centro da meta de 4,5%.

Entretanto, a meta, válida para este ano e o próximo, tem margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos, ou seja, o limite inferior é de 2,5% e o superior é de 6,5%. Para 2010, a estimativa para o IPCA passou de 4,41% para 4,40%.

A previsão para o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) em 2009 caiu de 0,90% para 0,50%. A estimativa para o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) também está em queda: passou 0,44% para 0,30%, neste ano.

Para o Índice de Preço ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), a estimativa passou de 4,11% para 4,16%. Para 2010, as projeções para os três índices foram mantidas em 4,5%.

A estimativa para os preços administrados foi mantida em 4,30% neste ano. Para 2010, a projeção foi ajustada de 3,80% para 3,72%. Os preços administrados referem-se aos valores cobrados por serviços monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento, transporte urbano coletivo e outros).

A estimativa dos analistas do mercado financeiro para o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de bens e serviços finais produzidos no país, no próximo ano, caiu para 3,50%. No boletim da semana passada, a projeção havia sido de 3,60%.

Indústria em queda

Para este ano, a previsão de queda do PIB foi mantida em 0,34%. Há quatro semanas, a estimativa de retração era de 0,50%.

No caso da produção industrial, os analistas preveem queda de 6,29%, contra 6,09% da semana anterior. Em 2010, a expectativa é de recuperação, com crescimento de 4,5%, contra 4,25 estimados no boletim da semana passada.

Na avaliação dos analistas, a relação entre dívida líquida do setor público e PIB deve chegar a 41,30% neste ano e a 40% em 2010. No boletim anterior, essas projeções eram 41% e 39,81%, respectivamente.

A estimativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) foi mantida em US$ 25 bilhões neste ano e em US$ 27 bilhões, em 2010.