Resorts Brasil espera faturar R$ 2 bilhões graças ao mercado interno

Cristine Gerk, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Enquanto acionistas e empresários se seguram para não arrancar os cabelos mundo afora, os funcionários de um setor em ampla expansão no Brasil tomam água de côco e mantêm o bronzeado, administrando um negócio cujo faturamento só promete aumentar. Na contramão do momento atual do turismo do planeta, os resorts parecem fazer jus ao conceito de refúgio autosuficiente contra todos os problemas e não sentem com a mesma intensidade o que a crise financeira anda fazendo aos mercados.

O setor passou ileso pelo auge da crise, em outubro de 2008. Apesar do sumiço dos turistas internacionais, os brasileiros garantiram a ocupação dos resorts na alta temporada conta Alexandre Zubaran, presidente da Resorts Brasil, bandeira que reúne 48 estabelecimentos com expectativa de faturar R$ 2 bilhões este ano. Há resorts que sentiram queda de quase 50% de hóspedes estrangeiros, mas as parcerias firmadas com a CVC e a Braztoa aumentaram as vendas no turismo interno em geral.

Cerca de 30% dos turistas antes da crise eram estrangeiros, mas esse número difere muito entre os empreendimentos. Há resorts cuja ocupação internacional é quase nula, enquanto outros têm mais de 70% de ocupação estrangeira.

Estamos otimistas quanto à alta temporada, as empresas estão se preparando para no ano que vem voltar a investir em eventos corporativos nos resorts. Para o período de novembro a fevereiro, já existem várias solicitações realizadas e acredito que faltará resort para tantos eventos. Se a estimativa virar realidade, será possível lucrar em torno de 2 bilhões, com um crescimento de 4% antecipa Zubaran.

O Costão do Santinho Resort & Spa, em Florianópolis, recebeu 90 mil turistas no ano passado e espera ver esse número crescer cerca de 5% este ano. Em maio, o Costão lançou um centro de eventos com capacidade para até 3 mil pessoas. Os dirigentes do resort esperam receber o retorno do investimento de R$ 6 milhões em até quatro anos.

Esperamos um crescimento de 5% em faturamento este ano com o empreendimento. Estamos mantendo o cronograma pré-crise diz Rubens Regis, diretor do Costão.

Zubaran explica, entretanto, que os bons ventos ainda podem mudar. Muitos eventos corporativos começaram a ser cancelados em maio, principalmente dos setores bancário e automotivo, e a previsão é de que as vendas sejam baixas neste terceiro trimestre. Inaugurações que aconteceriam neste e no ano que vem foram postergadas para 2011, adiando investimentos de R$ 4 bilhões. Outro aspecto que pode atrapalhar o setor é a gripe suína, principalmente para os resorts no Sul do país.