Variação regional de preços desafia compreensão do consumidor

Gabriel Costa, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Os tempos mudaram, e o mesmo aconteceu com os hábitos do consumidor. Pesquisas de preços para comprar itens de maior valor que antes demandavam a desgastante tarefa de percorrer a cidade em busca de pechinchas agora são realizadas com alguns cliques e visitas a sites de lojas na internet. O que a abrangência do mundo virtual esconde, no entanto, é que os preços ainda variam de região para região, mesmo dentro de uma mesma rede. Por isso, um pouco de tempo e disposição ainda podem trazer benefícios ao bolso do cliente.

O mercado atua setorialmente, de acordo com o público médio de cada local explica a professora de Finanças Myrian Lund, da Fundação Getulio Vargas (FGV). As lojas têm políticas diferenciadas de acordo com o apelo da cada produto em determinadas regiões, e vale a pena se locomover para comprar produtos de elevado valor agregado.

Uma pesquisa feita pelo Jornal do Brasil em alguns dos principais shoppings de diversas áreas do Rio verificou que uma televisão de LCD Samsung de 40 polegadas, modelo LED TV, por exemplo, pode sair por R$ 5.999,99 o preço mais comum na maioria das redes , R$ 6.500 na Tijuca ou até R$ 8.629, em uma loja em Jacarepaguá.

Eu costumo pesquisar em várias regiões da cidade, e sempre encontro bastante diferença. Conversando, então, a gente encontra ainda mais disse o aposentado Sebastião Horta, morador da Ilha do Governador, enquanto olhava fogões na Ricardo Eletro do NorteShopping.

Uma conclusão curiosa a que se chega a partir da pesquisa feita pelo JB é que os preços de certos produtos não necessariamente correspondem aos perfis das classes predominantes em cada região. O item pesquisado por Sebastião, por exemplo, apresenta variações significativas de preços em diferentes partes da cidade, mas em um padrão diferente do esperado. Um fogão de quatro bocas Continental modelo Perfetto Incanto é vendido por R$ 358 no Leblon, por R$ 399 na Tijuca e por R$ 469, no Cachambi.

O professor Gilberto Braga, do Ibmec/RJ, conta que a variação de preços reflete a flexibilidade dos negócios, para que as lojas mantenham um nível de rentabilidade.

A ideia é que, mesmo dentro de uma mesma rede, haja variação dentro de uma faixa de preços, para que seja possível vender um determinado produto por um preço em uma loja onde os custos sejam menores, e por outro em um lugar que tenha maiores despesas com manutenção, condomínio etc afirma.

Estratégias

Especialistas concordam, portanto, que vale a pena, do ponto de vista do marketing, diferenciar o apelo de determinados produtos em diferentes regiões para evitar prejuízos. Por outro lado, isso abre uma oportunidade para os consumidores dispostos a reservar algumas horas para visitar lojas de outros bairros.

A professora universitária Rita de Cássia Borges conta que costuma pesquisar preços regularmente na internet e em diferentes lojas, mas normalmente limita-se às proximidades da Barra da Tijuca.

Já o engenheiro Paulo Rogério da Silva usa a rede para selecionar ofertas, mas não dispensa posteriores visitas às lojas para conferir os produtos pessoalmente.

A dúvida é entre comprar agora ou esperar os preços baixarem diz.