Entidades diversificam estratégias de captação

Natália Pacheco, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Para combater a redução de patrocínios e doações, as ONGs não só adotaram novas formas de aproximação do público, como também ampliaram o nicho de empresas colaboradoras. A Geração Nova Vida, voltada para inclusão de crianças de 7 a 17 anos através do futebol, tem como principais colaboradores empresas ligadas ao esporte. Para ampliar a arrecadação, o presidente da instituição, Guilherme Fonseca, quer diversificar o perfil dos parceiros.

Com a crise, eu percebi que não podemos ficar só com companhias ligadas ao futebol. Temos que ampliar. Partir para outros tipos de empresas disse.

O Greenpeace adotou práticas de fidelização dos colaboradores, através do parcelamento das doações. Em vez de pagar todo o valor de uma só vez, a pessoas física pode dividir em parcelas. A organização arrecada, em média, R$ 5 milhões por ano, mas estima redução de 10% a 15% nem 2009 em função da tormenta econômica, já que não recebe dinheiro de governos e empresas.

Para o gerente de Mobilização de Recursos da Habitat Brasil, Antônio José da Silva, a crise forçou as instituições a pensarem em novas formas de arrecadação, diversificar fontes e trouxe uma base maior de negociação.

Outra estratégia usada pelas instituições é casar a demanda das companhias com os projetos. Por exemplo, uma ONG ligada ao meio ambiente pode promover cursos de uso racional da luz e da água e de reciclagem para os funcionários das empresas patrocinadoras.

A palavra chave é comunicação para mostrar que os agentes privados podem tirar proveito da doação que estão fazendo.

Apesar da verba garantida da parceria com o Bradesco, as vendas de cartões da Apae-SP registraram baixa nos últimos meses. No Natal, houve corte de 50% dos pedidos. Mesmo assim, a captadora de Recursos da associação, Ana Paula Garcia, prevê melhoras no segundo semestre.

As empresas voltaram a nos procurar porque a intensidade da turbulência diminuiu afirmou.