China está a caminho da meta de crescimento de 2009

REUTERS

PEQUIM - A China parece pronta para atingir sua meta anual de crescimento de 8 por cento, após um segundo trimestre surpreendentemente forte em razão de um aumento nos investimentos conduzido por poderosos estímulos fiscal e monetário.

O crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) do país acelerou no segundo trimestre, para 7,9%, contra 6,1% no período anterior, reforçando esperanças de que a economia mundial está saindo da mais profunda recessão em 80 anos.

Analistas previam uma expansão de 7,5%, e muitos reagiram prontamente aos números desta quinta-feira ao elevar suas projeções para este ano e o próximo.

- Nós vemos claros riscos de alta na atual meta de crescimento do PIB de 8,3% em 2009 - disseram Yu Song e Helen Qiao, ambos do Goldman Sachs.

Eles acrescentaram que o crescimento de 7,9% se traduz em um ritmo de 16,5% frente ao primeiro trimestre, quando expressado como uma taxa sazonalmente ajustada.

Um série de dados complementares do Escritório Nacional de Estatísticas apontaram uma economia bem sucedida compensando a forte queda das exportações por meio da demanda doméstica.

- É muito animador: a meta de crescimento de 8 por cento está à vista - disse Daniel Soh, economista da Forecast, em Cingapura.

- Está claro que o pacote de estímulo fiscal compensou a contração na atividade de exportação.

FORTE INVESTIMENTO

O crescimento da produção industrial acelerou para 10,7% até junho, superando as expectativas, contra leitura de 8,9 por cento em maio.

Já o investimento em ativos fixos em áreas urbanas cresceu 33,6% no primeiro semestre, ante 32,9% no período anterior.

- O crescimento dos investimentos vai acelerar no terceiro trimestre e se tornará mais rápido no último trimestre deste ano. O fundo do poço foi no quarto trimestre do ano passado - afirmou Hao Daming, economista sênior da Galaxy Securities, em Pequim.

Li Xiaochao, porta-voz do escritório de estatísticas, disse que os dados apresentam motivos para a economia chinesa atingir a meta de crescimento de 2009, o mínimo necessário para conter a taxa de desemprego.

- Nossa economia continua mudando para melhor e há mais e mais fatores positivos - afirmou ele, em coletiva à imprensa.

- Nós vemos mais pessoas comprando e os preços começando a subir. A economia está melhorando e a recuperação está se intensificando. Todas as políticas do governo trabalharam juntas para nos ajudar a superar a crise financeira - afirmou Li.

Ele destacou ainda a firmeza dos mercados automotivo e imobiliário da China.

As vendas no varejo subiram 15% em junho frente ao ano anterior, após aumento de 15,2 por em maio.

Mas Li ponderou que a recuperação ainda não está sólida e que a economia está crescendo abaixo do potencial. Segundo ele, os preços continuam caindo, a demanda em geral permanece fraca e algumas indústrias ainda enfrentam excesso de capacidade.

- A recuperação não está completamente equilibrada, então há algumas regiões que ainda não melhoraram.

Os investimentos responderam por 6,2 pontos percentuais do crescimento geral, em ênfase na construção de rodovias, estradas de ferro e outras áreas de infraestrutura no pacote de estímulo do governo.

O consumo contribuiu com 3,8 pontos percentuais do PIB, mas as exportações líquidas subtraíram 2,9 pontos --reflexo da forte queda na demanda por bens chineses em meio à crise global.