AEB: exportação de primários deve cair 34,5% no 2º semestre

REUTERS

BRASÍLIA - As exportações brasileiras de commodities vão cair mais fortemente no segundo semestre deste ano, apesar dos indícios de menor volatilidade no mercado mundial, afirmou a principal entidade do setor exportador do País, em um estudo divulgado nesta quarta-feira.

A exportação de produtos primários vai cair 34,5% no segundo semestre, enquanto nos primeiros seis meses do ano a redução percentual foi de apenas um dígito, de acordo com a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

- No primeiro semestre, a queda nas exportações de produtos básicos foi de apenas 7,4%, graças à antecipação do embarque de soja em grão (82% do total previsto já embarcado) e à prática de preço antigo para o minério de ferro - afirmou a AEB em comunicado.

No segundo semestre, segundo a AEB, o impacto da crise será sentido mais diretamente. O preço do minério de ferro acordado pela Vale no final do semestre passado com alguns importadores na Ásia, no Japão e na Coreia do Sul, teve redução de preço de 28,8% a 44,4%, dependendo da qualidade do produto.

A previsão para 2009 é que as exportações de matéria-prima ou produtos básicos caiam 22,9%, passando a US$ 56,3 bilhões.

As vendas externas de produtos industrializados serão ainda mais afetadas, com redução estimada de 27,8%, fechando o ano em US$ 86,5 bilhões, como resultado da fraca demanda mundial.

A queda na exportação de produtos industrializados é amplamente relacionada à redução de volume e provocou a diminuição da atividade industrial ou o fechamento de fábricas. Isso afetou o mercado de trabalho e a economia como um todo, afirma a AEB.

Em contraste, a exportação de commodities registrou queda por causa da redução de preços, na comparação com os recordes registrados em 2008. Os volumes de venda permaneceram relativamente altos, preservando os empregos, diz o estudo da AEB.

A AEB alerta que pode se tornar difícil a recuperação das vendas externas de produtos manufaturados porque o Brasil perdeu fatia de mercado, principalmente para os competidores chineses, e em especial na América Latina. O País atribui o problema à forte cotação do real e à redução da renda entre os clientes de suas commodities.

As exportações do Brasil vão cair 26,1% em 2009, ficando em US$ 146,2 bilhões, mas ainda assim o País vai produzir um superávit de US$ 21,4 bilhões, um pouco menor do que os US$ 24,7 bilhões do ano passado.

Um dos principais campeões de vendas externas será o açúcar, com aumento previsto de 69,2% (em valor), enquanto as exportações de motores e peças para automóveis vão cair 53,2%.