Sarkozy e Lula levarão ao G8 o discurso da mudança

Agência AFP

PARIS - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega francês Nicolas Sarkozy afirmaram nesta terça-feira que irão à reunião de cúpula das oito nações mais ricas do mundo, o G8, com um discurso da mudança, depois de um encontro em Paris. - Queremos levar o mesmo discurso, o discurso da mudança - afirmou Sarkozy em coletiva conjunta com Lula depois de uma reunião de mais de uma hora no Palácio do Eliseu, em Paris.

- Pediremos uma mudança na governança mundial para que haja mais justiça e mais equilíbrio para compartilhar as responsabilidades - afirmou Sarkozy. - Pediremos uma mudança no crescimento mundial para a luta contra o aquecimento climático - acrescentou.

- Desejamos que o sistema financeiro seja modificado e que seja vigiado, queremos terminar com os paraísos fiscais e atuar para obter uma economia mais livre e dinâmica - precisou Lula.

O presidente francês reiterou seu desejo e o de seu colega brasileiro de trabalhar juntos e se referiu a um texto escrito por ambos e publicado nesta terça-feira no jornal francês Liberación e na Folha de São Paulo, no qual fixam as grandes linhas desse projeto. Lula e Sarkozy estimam que, "além da economia e do sistema financeiro, hoje é necessário dar uma atenção prioritária à dimensão social da globalização para se enfrentar a crise".

Para os dois líderes, "a pobreza e a exclusão social agravam a instabilidade do sistema internacional e chegou o momento de dar uma atenção prioritária à dimensão social da globalização".

- Em todo o mundo, trabalhadores pegos pela tormenta econômica reclamam mais justiça e mais segurança. Eles devem ser ouvidos. As organizações internacionais devem levar em conta os efeitos sociais da atual crise - destacaram Lula e Sarkozy.

- O papel da Organização Internacional do Trabalho na governabilidade econômica mundial deve ser consideravelmente reforçado -acrescentaram. Os dois líderes também defendem "uma ampla reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas", para se "construir uma ordem internacional mais equilibrada e solidária".

Segundo Lula e Sarkozy, é preciso dar um papel mais importante aos grandes países em desenvolvimento de cada região, como Brasil e Índia, assim como uma representação mais equitativa à África e aos principais contribuintes ao sistema das Nações Unidas, como Japão e Alemanha.

- As instituições financeiras internacionais, como o FMI e o Banco Mundial, devem conceder um espaço mais importante às economias emergentes dinâmicas ao tomar suas decisões - enfatizaram.

- Brasil e França querem propor ao mundo sua visão comum de um novo multilateralismo, adequado ao nosso mundo multipolar. Com outros chefes de Estado e de Governo devemos formar uma 'Aliança para a mudança', para conduzir esta visão de uma ordem mundial mais democrática, solidária e justa - concluíram.