Para ex-ministro brasileiro, o 'G8 não acabou'

Agência ANSA

SÃO PAULO - Às vésperas da 35ª Cúpula do G8 (que é formado pelos sete países mais ricos do mundo e a Rússia), o ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia afirmou que este grupo "não chegou ao fim", ao contrário do que diz o atual chanceler, Celso Amorim.

- Gradualmente o G8 vai ser expandido, mas ele não acabou. Será uma transição, assim como no início era G7 e depois passou a ser G8 - declarou Lampreia em entrevista à ANSA, ressaltando que anunciar a morte do grupo é apenas "uma frase de efeito".

No último mês, Amorim ratificou que o bloco composto por Estados Unidos, Rússia, Alemanha, Itália, França, Canadá, Japão e Reino Unido "morreu" e não possui tanta representatividade, uma vez que é crescente a importância dos países emergentes no cenário mundial.

Também o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o "G8 não tem mais razão de ser" e que deve ser substituído pelo G20 (grupo que reúne países industrializados e emergentes) que, segundo ele, é mais importante, mais representativo e mais próximo à realidade.

Para o ex-ministro, apesar de enfrentar "alguma resistência", a tendência será a ampliação natural do grupo, uma vez que a inclusão de novos países é definida pelos fatos e não por decisões políticas , e as nações mais ricas do mundo viram a necessidade de agir em conjunto com as emergentes para solucionar a crise econômica mundial.

Ressaltando que este novo formato não surgirá "da noite pro dia , Lampreia opinou que deverão ser incluidos mais quatro países, como os emergentes Índia, China, Brasil e África do Sul -- que ao lado dos membros do G8, mais Egito e México, são conhecidos atualmente como G14.

- É claro que a Itália e também o Canadá não vão querer que haja nenhuma modificação que os exclua, porque é muito desprestigioso para um país deixar de ser parte de um órgão tão importante quanto este - esclareceu o diplomata.

No entanto, Lampreia explicou que a participação dos emergentes é muito importante, porque são países que apresentaram melhor performance econômica durante a crise e que têm grandes reservas monetárias".

- Hoje em dia é praticamente um consenso que eles devem participar de grandes fóruns - argumentou o diplomata, que ficou à frente do Ministério das Relações Exteriores entre 1995 e 2001, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

No mesmo sentido, o embaixador chinês no Brasil, Qiu Xiaoqi, enfatizou que apenas a cooperação poderá fazer com que o mundo saia da crise atual o quanto antes.

Em declarações à ANSA, Qiu Xiaoqi disse esperar que, durante o encontro, "a comunidade internacional fortaleça a cooperação entre todos, promova a reforma do mecanismo financeiro internacional, e enfrente conjuntamente o desafio que agora esta afetando todo o mundo".

A 35ª Cúpula do G8, atualmente presidido pela Itália, se reúne a partir de amanhã na cidade de L'Aquila, na região de Abruzzo, e terá entre suas pautas principais as discussões sobre novas regulamentações econômicas, que deverá incluir uma maior atuação das chamadas economias emergentes.

Além dos chefes de Estado e de Governo dos países-membros do grupo, são esperados também os líderes de outras nações, como China, Brasil, México, Índia, África do Sul, entre outros.