G-8: localização da cúpula é estratégica para Berlusconi

Natália Pacheco, Jornal do Brasil

RIO - Com um olho no sismógrafo e o outro nas convulsões econômicas e políticas do planeta, o G-8 inicia quarta-feira cúpula em uma Itália ávida por evitar a repetição do tumulto e da brutalidade policial que marcaram a reunião no país em 2001. Os líderes globais estão hospedados em uma escola de treinamento da polícia na cidade de Áquila, atingida recentemente por um terremoto que deixou em torno de 300 mortos.

Desocupar a região não seria simples: aos cerca de 40 chefes de Estado e governo presentes à reunião somam-se milhares de integrantes de comitivas oficiais e organizações internacionais, além de aproximadamente 3 mil jornalistas. Cerca de 15 mil policiais integram a segurança em Áquila e Roma.

A cúpula estava originalmente planejada para a Ilha de Maddalena, mas o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, decidiu a transferência para Áquila em sinal de solidariedade às milhares de pessoas que perderam tudo no terremoto, das quais 24 mil continuam a viver em tendas.

A imagem de Berlusconi sofre forte erosão causada por uma série de escândalos relacionados à sua vida privada.

Expectativas

O papa Bento XVI divulgou terça-feira uma carta dirigida aos líderes dos países-membros do G-8 pedindo a criação de regras duras para o sistema financeiro. O papa clamou por uma autoridade política mundial verdadeira (...) para administrar a economia global e evitar mais abusos do livre mercado.

O grupo Transparência Internacional (TI) também pediu que os líderes do G-8 tomem ações urgentes para assegurar que os esforços de recuperação da economia global não sejam minimizados por fraudes e corrupção. Em seu terceiro Relatório de Progresso do G-8, divulgado terça-feira, a TI considerou como inadequada a performance do G-8 em relação a compromissos contra a corrupção.

Uma quantia considerável dos mais de US$ 5 trilhões antecipados para a retomada vão financiar projetos de infraestrutura e apoio a orçamentos. Dada a vulnerabilidade à corrupção em projetos do tipo, o grupo precisa garantir que companhias sediadas nos países-membros evitem subornos para assegurar contatos e promover transparência fiscal por parte dos governos que recebem assistência.

Com nove líderes africanos na cúpula, os EUA podem prometer de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões para o desenvolvimento agrícola de países emergentes. Os americanos querem o apoio de parceiros para que o comprometimento chegue a US$ 15 bilhões, de acordo com comunicado preliminar do G-8.