Em crise, 'NYT' recomenda moderação no uso do celular

Portal Terra

SÃO PAULO - O jornal americano The New York Times tomou mais medidas para cortar custos, em meio a uma crise que obrigou a publicação a alugar parte de seu prédio em Manhattan e negociar aportes em dinheiro do bilionário mexicano Carlos Slim. Segundo um memorando distribuído para repórteres, a empresa desencoraja o uso "extensivo" dos telefones celulares quando fora dos Estados Unidos e pede o fim do uso das mensagens de texto. As informações são do jornal The Observer.

Em janeiro deste ano, segundo o Observer, o editor-adjunto de gestão, Bill Schdmit, já tinha alertado à equipe de jornalistas do jornal americano sobre a necessidade de economizar nas viagens, com hospedagem em hotéis mais baratos e corte de custos nas refeições. Em março, o jornal arrendou parte de seu prédio por US$ 225 milhões à financeira W.P.Carey & Co, em um modelo de aluguel com opção de recompra no futuro.

Já em abril, o jornal americano distribuiu memorando interno em que anunciava a intenção de eliminar várias seções semanais e reduzir os gastos com repórteres freelancers para poupar milhões de dólares em custos anuais. No mesmo mês, o NYT ameaçou fechar o Boston Globe por conta de um desacordo com sindicatos para cortes salariais estimados em US$ 20 bilhões.

Desta vez, o jornal americano atacou os custos com telefones celulares. O principal alvo foram as mensagens de texto que, segundo memorando obtido pelo Observer, representam custos altos porque não estão incluídos nos planos básicos contratados pela publicação com as operadoras de telefonia. Como alternativa, o NYT pede o uso de email e de comunicadores instantâneos gratuitos.

Outra fonte de custos a ser cortada no jornal americano são as ligações feitas quando os repórteres estão em viagem. Segundo o memorando, mesmo que quando a trabalho, os jornalistas devem evitar fazer ligações dos celulares da empresa, por conta dos custos com deslocamento. A sugestão é que seja comprado um chip para que o telefone seja local. "As chamadas para seu número dos Estados Unidos podem ser encaminhadas para o novo número", informa o memorando.

A publicação também recomendou que não deve ser usado o auxílio à lista (o 102 americano), que tem custo de US$ 1,49 por ligação. Ao invés disso, o NYT recomenda o uso de alternativas gratuitas, mas que tem números mais extensos (estilo 0800 no Brasil).

No memorando obtido pelo jornal britânico, o editor-adjunto de gestão não estimou qual o valor que o NYT pretende economizar com as orientações para o uso de celulares.