Mau humor externo referenda juro básico menor e DIs recuam

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BRASÍLIA - As projeções de juros caíram nesta segunda-feira, reiterando que os investidores esperam novo corte da Selic. A deterioração dos mercados globais contribuiu para reforçar a visão de que a retomada mundial ainda não está ocorrendo de forma consistente, o que ajuda a justificar um juro menor internamente.

Na BMF Bovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2011 caiu para 9,86% no call das 16h, ante 9,88% no ajuste da sexta-feira.

O DI janeiro de 2010 recuou para 8,75%, frente a 8,77% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2012 permaneceu em 10,94%.

- O pessoal acha que a taxa de juro vai cair mais um pouco. A maioria está apostando em 0,25 ponto (percentual de corte na Selic em julho)- disse o consultor de investimentos de uma corretora que preferiu não ser identificado.

O dólar chegou a subir cerca de 1% frente ao real, enquanto o principal índice da bolsa paulista perdeu cerca de 2% diante de temores renovados sobre o ritmo de recuperação da economia global. Em Wall Street, o dia também era fraco, apesar de uma leve recuperação do Dow Jones no final da tarde.

O patamar de corte da Selic ainda não é consenso. Flávio Serrano, economista sênior do Bes Investimento, acredita que a redução neste mês será de 0,5 ponto percentual. Atualmente, a taxa está em 9,25% ao ano.

- Acreditamos que em julho ocorre o último corte e depois (o Banco Central) mantém no resto de 2009 e em 2010 - disse Serrano. - Tecnicamente, no entanto, há espaço para outro corte, já que as projeções de inflação do BC são muito otimistas. Até nos surpreenderam pelo otimismo.

No último Relatório Trimestral de Inflação, divulgado no fim de junho, o BC previu inflação pelo IPCA em 2009 de 4,1% e em 2010 de 4%. O mercado, segundo o Focus, espera taxas de, respectivamente, 4,42% e 4,33%.

Durante o pregão, os contratos longos chegaram a operar em alta. Segundo analistas, a tendência é de que esse aumento se consolide.

- A tendência em um ou dois meses é de aumento da diferença, na curva de juros, entre os prazos mais longos e mais curtos, conforme a leve recuperação da atividade começa a afetar as expectativas (de juros) para o próximo ano - afirmou em relatório a Rosenberg & Associados.

Apesar de o mercado projetar retração econômica em 2009, de 0,5% segundo o Focus, a expectativa é de que o País ganhe força no segundo semestre, deixando de ser um ponto de alívio sobre a inflação.

Os destaques da agenda brasileira da sessão foram os dados positivos de vendas e produção de automóveis da Anfavea - que levaram a entidade a elevar o prognóstico para o ano. O relatório Focus trouxe poucas novidades: o mercado manteve os cenários para o desempenho da economica e para a Selic e elevou apenas ligeiramente as perspectivas de inflação.