IPCA deve desacelerar alta para 0,31% em junho, diz pesquisa

REUTERS

SÃO PAULO - A inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ter desacelerado em junho, aliviada por uma alta mais branda nos preços de cigarros e remédios e pelo câmbio, segundo pesquisa da Reuters.

A expectativa à frente é de que, apesar do cenário de recuperação econômica, o crescimento não gere pressões de preços e a inflação encerre o ano abaixo do centro da meta.

Para junho, a mediana e a média de 25 projeções apontaram inflação de 0,31%, ante taxa de 0,47% em maio. A faixa de prognósticos oscilou de 0,28% a 0,34%.

- O indicador deve desacelerar por conta, sobretudo, da saída dos impactos remanescentes do reajuste dos cigarros e dos remédios... (além de) alguma queda de preços de energia elétrica e arrefecimento da alta sazonal de vestuário - disse Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora.

Os custos dos remédios foram reajustados no segundo trimestre e, depois de terem impacto significativo sobre a inflação nos últimos meses, começam a perder força.

O índice também deve ter tido uma contribuição do movimento do câmbio.

- A moeda (real) mais forte contrabalança a recente recuperação dos preços de commodities agrícolas e de energia vista em junho - afirmou Alvise Marino, analista de mercados emergentes do IDEAglobal.

Ano

A pesquisa mostrou ainda que, para 2009 como um todo, o mercado estima inflação de 4,45%, segundo a mediana de 10 projeções.

As estimativas oscilaram de 4,3% a 4,7%, resultando em média de 4,5%.

A meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) tem centro em 4,5%, com tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

- A recuperação da economia não vai gerar pressões inflacionárias ao longo do ano... porque vai se recuperar dos patamares atuais mas não vai crescer acima do potencial - disse Flávio Serrano, economista sênior do Bes Investimento.

Outro motivo, segundo ele, é que a crise mundial impactou a inflação no varejo brasileiro por meio, principalmente, dos preços de bens duráveis - com uma queda de preços decorrente da menor demanda e depois por incentivos fiscais do governo que reduziram os preços ao consumidor -, mas nem tanto por meio dos não duráveis e serviços, já que a renda do consumidor não foi abalada.

- Agora, existe espaço para que os bens duráveis tenham uma recuperação de preços. Mas, por outro lado, a renda não vai mais subir no ritmo que vinha subindo e o espaço para mais reajustes em serviços e não duráveis é menor - acrescentou Serrano.