Inflação fica menor para a baixa renda

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A inflação para famílias com renda entre um e 2,5 salários mínimos caiu em junho para 0,14% na comparação com maio (0,69%). Os dados são da Fundação Getulio Vargas (FGV), que divulgou segunda-feira o Índice de Preços ao Consumidor Classe 1 (IPCP-C1). No acumulado do ano, a inflação para os consumidores de baixa renda é de 2,99%. Nos 12 meses fechados em junho, é de 4,35%.

Desde 2006, o IPC-C1 em 12 meses não ficava abaixo do índice geral (4,87%) no mesmo período. Contribuíram para a queda no resultado de junho as quedas de tarifas de energia, no grupo habitação, e de cigarros, no grupo despesas diversas. Por outro lado, pesou o reajuste de preços no grupo alimentação. Os aumentos mais expressivos foram nos preços de aves e ovos, laticínios e adoçantes.

Cesta custa menos

A cesta básica de alimentos ficou mais barata em 13 das 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), tanto no primeiro semestre quanto nos 12 meses fechados em junho.

No período, as maiores quedas foram apuradas em Florianópolis (-9,02%), Aracaju (-8,76%) e Brasília (-8,14%). Já os aumentos se deram em Recife (3,99%), Salvador (3,08%), Goiânia (1,62%) e Belém (1,28%).

A cesta mais cara foi novamente em Porto Alegre (R$ 253,66), com alta de 0,09%. São Paulo apresentou o segundo maior valor da cesta (R$ 228,10), com alta de 0,33%.

Na pesquisa de comportamento de preços, o Dieese constatou que o leite aumentou seu preço em 15 capitais, especialmente no Rio de Janeiro (16,97%), Vitória (15,97%), São Paulo (12,73%), Brasília (12,71%), Florianópolis (12,67%) e Curitiba (12,40%). O óleo de soja também teve aumento em 13 cidades pesquisadas, como Recife (5,30%), Aracaju (5,22%), Natal (4,89%) e Belém (4,85%).

Entre os alimentos essenciais que compõem a cesta básica, quatro tiveram reduções mais generalizadas: o arroz, cujos preços recuaram em 15 capitais; o feijão, em 11 capitais; o café, em 10 e a carne, em nove. A carne, produto de maior contribuição no custo da cesta básica, apresentou as maiores elevações em Goiânia (4,88%), Natal (3,41%) e Aracaju (2,89%), enquanto Recife (-2,90%) e Vitória (-2,14%) apresentaram as maiores reduções.

Quem recebe o salário mínimo teve de comprometer 98 horas e 58 minutos da jornada para arcar com as compras, na média das capitais. O custo da cesta básica alcançou 48,90% do rendimento do trabalhador em junho, ante 48,71% em maio. A cesta básica pesquisada pelo Dieese contém 13 itens: arroz, feijão, tomate, banana nanica, açúcar refinado, óleo de soja, café, pão francês, batata, leite integral, manteiga, carne bovina e farinha de trigo.