G-8: Lula critica ricos por não ajudar pobres

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou segunda-feira que vê poucas ações dos países ricos para ajudar as nações mais pobres a combater os efeitos da crise financeira internacional. Lula está na Europa, onde vai participar nesta semana de reunião com os líderes dos principais países desenvolvidos e em desenvolvimento no encontro do G-8 e do G-5. O evento vai ocorrer em L'Aquila, na Itália, para onde o presidente vai depois de visitar a França.

Eu estou vendo pouca coisa acontecer por parte dos países ricos na ajuda que deveriam dar. Nós precisamos cobrar as coisas que nós decidimos que o FMI (Fundo Monetário Internacional) iria fazer e que o Banco Mundial iria fazer, e acho que essa reunião é extremamente importante afirmou Lula em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente.

Lula reafirmou que as discussões sobre a conjuntura econômica mundial deveriam ser realizadas pelo G-20, grupo que reúne mais países em desenvolvimento. Para o presidente, ao tomarem decisões, os países desenvolvidos devem levar em consideração a opinião dos chamados Brics (Brasil, Rússia, Índia e China). A próxima reunião do G-20 vai ocorrer em setembro.

O grande fórum de discussões das questões econômicas deveria ser o G-20 destacou o presidente. A verdade é que a situação está tão complicada que hoje é muito difícil os países ricos tomarem posição que não leve em conta os chamados Brics, os chamados países emergentes, dos quais faz parte o Brasil.

A situação econômica internacional será o principal assunto das reuniões do G-8 e do G-5, em que deverão também ser discutidos temas como crises regionais, segurança alimentar, a luta contra as mudanças climáticas e o comércio internacional.

O presidente fez questão de lembrar que o encontro vai ser o primeiro do grupo desde o agravamento da crise mundial, em setembro do ano passado. Por isso, afirmou Lula, devem ser esperados avanços.

É a primeira reunião do G-8 realizada no momento da crise econômica financeira que abalou o mundo. Espero que haja um avanço afirmou o presidente. Os efeitos da crise econômica são graves, e muito mais graves nos países mais pobres, sobretudo os países africanos, da América Central, do Caribe. E eu estou vendo pouca coisa acontecer por parte dos países ricos, na ajuda que deveriam dar. Nós precisamos cobrar as coisas que nós decidimos que o FMI iria fazer, que o Banco Mundial iria fazer.

Lula afirmou que pretende mostrar ao G-8 que é possível, também, tratar da fome no mundo com um exemplo brasileiro.

Vamos querer discutir a questão da segurança alimentar com muito mais ênfase, pois, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação), nós temos mais de 1 bilhão passando fome. Não podemos deixar de discutir esse assunto até porque o Brasil tem lição para dar. O Brasil tem experiência. Criamos um programa chamado Mais Alimentos, financiamos tratores, máquinas agrícolas, aumentamos a compra de alimento por parte do governo federal e o sucesso do programa é extraordinário. Poderia servir de exemplo para que os países ricos ajudassem os países pobres afirmou.

Imigrantes maltratados

Ao citar recente decisão do Brasil de facilitar a legalização de imigrantes, com uma espécie de anistia aos estrangeiros irregulares, o presidente criticou os países desenvolvidos. De acordo com o presidente, enquanto eles (países ricos) estão perseguindo os imigrantes , o governo dá uma demonstração do tratamento especial que o Brasil quer dar aos nossos irmãos que vieram de outros países para tentar a sorte no Brasil .