Aversão ao risco prevalece e Ibovespa recua 0,61%

SÃO PAULO, 6 de julho de 2009 - O clima de cautela nas principais praças acionárias norte-americanas contaminou os negócios na bolsa brasileira. O desempenho das commodities também influenciou o movimento. No término do pregão, o índice acionário da BM&FBovespa registrou contração de 0,61%, aos 50.622 pontos. O giro financeiro da bolsa ficou em R$ 3,94 bilhões.

Nem mesmo a divulgação de indicadores positivos tirou o mau humor dos investidores durante a sessão. O Institute for Supply Management (ISM) informou hoje que o índice do setor de serviços dos Estados Unidos subiu para 47 pontos em junho deste ano, contra 44 pontos no mês anterior. O resultado veio melhor que o esperado pelo mercado, entretanto, ainda aponta retração, já que se mantém abaixo dos 50 pontos.

"Mesmo com o indicador dos Estados Unidos vindo melhor do que o esperado, as bolsas continuaram em queda. A aversão ao risco continua nos mercados, com a expectativa de que o retorno de uma economia mais consistente vai demorar mais tempo do que o imaginado", avalia Álvaro Bandeira, diretor da Ágora Corretora.

Ainda nos Estados Unidos, o tribunal de falências de Nova York aprovou o plano de reestruturação para a montadora norte-americana General Motors (GM), que prevê a venda de seus ativos saudáveis para a nova GM com o apoio do governo.

"Os mercados estão se equilibrando para ver quais serão os próximos passos e em quais patamares. As notícias de hoje não justificam o desempenho", complementa Bandeira.

No Brasil, a agência de classificação de risco Moody´s colocou em revisão para possível elevação os ratings "Ba1" de dívida em moeda local e estrangeira do governo do Brasil. De acordo com a agência, a revisão foi motivada pela confirmação de uma maior resistência da economia a choques.

Enquanto isso, o presidente do Banco Central (BC) afirmou que o País não está criando vulnerabilidades ao enfrentar a crise financeira internacional. O executivo destacou também que a economia brasileira vai crescer a taxas "mais fortes", ao final deste ano, para que seja alcançada a projeção do BC de alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,8% em 2009.

Já o Banco Nossa Caixa anunciou hoje a disponibilização de R$ 1,5 bilhão para micro, pequenas e médias empresas. Os financiamentos terão juros até 60% mais baixos que os cobrados atualmente pela instituição, devendo ficar entre 1,55% a 1,80% ao mês, com possibilidade de carência de até seis meses.

Os agentes também acompanharam as informações sobre a Perdigão, à espera do anúncio de oferta de ações, como parte do processo de capitalização para fazer frente aos custos da fusão com a Sadia. As empresas realizam assembleia de acionistas na quarta-feira (08). Os papéis preferenciais e ordinários da Sadia e Perdigão subiram 4,09% e 2,76%, respectivamente.

No Ibovespa, o desempenho das commodities no mercado internacional também afetou o índice. Ao final dos negócios, as ações preferenciais da Vale recuaram 1,80% e da Petrobras perderam 2,18%. Já os papéis preferenciais da Gerdau terminaram em baixa de 1,67%.

(Déborah Costa - Agência IN)