Varejo lidera medidas sustentáveis

Natalia Pacheco, Jornal do Brasil

RIO - Preocupadas com mudanças no hábito do consumidor, capacidade de geração de recursos da natureza e redução de custos, as três maiores redes varejistas do país Pão de Açúcar, Carrefour e Wal Mart aumentam a cada ano investimentos em medidas sustentáveis. O plano de investimentos do Wal Mart, por exemplo, prevê US$ 500 milhões em cinco anos nesse tipo de ações (de 2005 a 2010) no mundo. O Carrefour destina 5% da verba das áreas de Marketing, Formação e Educação de Funcionários e Merchandising para essas medidas no Brasil.

São inúmeras as ações adotas: desde sacolas de pano no lugar dos sacos plásticos a auditorias em frigoríficos para rastrear a origem do gado e se a fazenda desmata áreas da Amazônia. O tema veio à tona nas duas últimas semanas com o anúncio dessas redes de suspensão de compras de frigoríficos presentes no relatório Farra do Boi, do Greenpeace. Além dessas empresas, saindo do âmbito do país, as multinacioanis Adidas e Timberland tomaram a mesma decisão. A medida surtiu efeito. O primeiro acordo entre frigoríficos e governos do estado já aconteceu. No início da semana passada, o Marfrig quarto maior processador de carne do mundo se comprometeu a não comprar gado de áreas desmatadas.

O diretor de campanhas do Greenpeace no Brasil, Marcelo Furtado, discursou essa semana no evento Pacto pela Sustentabilidade, promovido pelo Wal Mart, em São Paulo, e destacou a importância das conseqüências dos fatos.

Não basta o relatório ser divulgado. As empresas e os consumidores tem de agir. E foi exatamente isso o que aconteceu nesse caso. Essas medidas devem ser lideradas pelos grandes varejistas do pais para que a população siga na mesma direção falou.

Redução dos preços

O presidente do Wal Mart Brasil, Hector Núñez, disse que com a redução dos custos nas lojas e na logística é possível reduzir os preços dos produtos.

Investir em sustentabilidade é de suma importância. De acordo com a redução das despesas, os preços dos produtos, como por exemplo, os alimentos orgânicos vão caindo e as vendas vão aumentar. Ou seja, é bom para o planeta, para o negócio e para o consumidor final disse Núñez, que ressaltou que o cidadão está cada vez mais preocupado com a questão.

Uma pesquisa do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, ligado ao Instituo Ethos, revelou que 28% dos consumidores entrevistados preferem comprar em redes de varejo que tenham ações ambientais e 37% estão dispostos a pagar mais por um produto ecologicamente correto. É o caso de Jacira Câmara, que só consome hortaliças orgânicas.

Os preços são caros, mas o sabor e a qualidade dos produtos são muito melhores. Eu tenho esse hábito desde criança, quando a minha avó fazia saladas do que era colhido da horta do sítio em que morava disse.

Diálogo com consumidor

A pesquisa também revela que 78% dos clientes acham que as redes de varejo têm responsabilidade sobre os fornecedores e 50% não acreditam no que as empresas dizem. O presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar, disse que isso é uma prova de que as empresas devem investir mais em medidas ambientais para aproximar o consumidor à um diálogo.

O consumidor ainda não está satisfeito. Então, mais ações devem ser tomadas e divulgadas ressaltou Mattar.

Gerações mais exigentes

O presidente do instituto acredita que os futuros consumidores serão mais exigentes. Vão selecionar mais e cobrar atitudes do varejo, dos fornecedores e do próprio governo.

O empresário que quiser sobreviver no mercado terá de investir em sustentabilidade. O comportamento do consumidor está em transformação e isso vai se consolidar daqui a alguns anos disse.

Na casa de Catarine Bellot é assim. Aos 19 anos, a jovem só quer saber de hortaliças e sucos orgânicos. Hábito que adquiriu com a mãe aos 10 anos. Mas a irmã, de sete, é criada nesse modelo desde bebê.

Eu vou passar isso para o meu filho. E até lá, teremos mais opções. A tendência é melhorar prevê.